Domingo, 3 de maio de 2026
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Aliados da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, vêm rebatendo a denúncia de que o governo teria mantido uma “embaixada paralela” na Venezuela, feita pelo ex-embaixador argentino no país. Para eles, a grande imprensa está distorcendo as declarações de Eduardo Sadous, que serviu em Caracas até junho de 2005.

O fogo cruzado de acusações na Argentina começou quando ex-embaixador prestou um depoimento em sessão secreta da comissão de relações exteriores da câmara dos deputados e revelou informações sobre supostas atividades paralelas à embaixada oficial na Venezuela, especialmente sobre exportações.

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Segundo o jornal Clarín, que trava uma batalha agressiva contra o governo argentino, dois dias depois do depoimento, o subsecretário de Integração Econômica Americana e Mercosul da Chancelaria, Eduardo Sigal, recebeu um fax com reclamações de duas empresas argentinas excluídas de uma venda coletiva para o país de Chávez.

Sigal confirmou a existência das negociações paralelas, mas ressaltou que as publicações na mídia tentaram manipular a realidade e atacar o governo. O subsecretário afirmou a uma rádio que “paralela” não quer dizer “clandestina”, nem alheia à chancelaria.



Autoridades que encabeçam o escândalo acusam mídia de manipular denúncia

O deputado Carlos afirmou que a “montagem” da mídia se deve aos interesses de empresários afetados pelo comércio com a Venezuela. “Estão aproveitando uma questão importante para o país, a relação virtuosa que cresceu exponencialmente e que é muito favorável para a Argentina, exportamos tecnologia, conhecimento”.

Campanha na mídia

De fato, a grande mídia argentina vem dedicando manchetes ao assunto nas últimas semanas. O principal ponto dos governistas é que ninguém teve acesso à íntegra do depoimento de Sadous. Entretanto, o Clarín publicou denúncias que o diplomata teria feito sobre os negócios bilaterais.

Em janeiro de 2005, Sadous teria despachado um comunicado confidencial, informando que 90 milhões de dólares haviam desaparecido do fundo administrado pela PDVSA (estatal de petróleo venezuelana), por meio do qual o país pagaria pelos produtos argentinos. O fundo consiste em uma ferramenta de “troca” do petróleo importado pela Argentina pelos produtos exportados à Venezuela.

Dias depois do depoimento, o jornal Tiempo Argentino – lançado há poucos meses e com uma postura mais alinhada ao governo – teve acesso e publicou trechos das notas da reunião. O jornal garante que a manchete que envolve o ex-presidente argentino nas denúncias “não revela o que Sadous disse, mas sim o que o Clarín gostaria que tivesse dito”. E que o diplomata admitiu que é possível que existam negócios “escusos” da Venezuela com países como “Brasil, Chile e França”.

Hector Timerman, ao assumir como chanceler, descartou que as empresas que já atuam na Venezuela tenham sido deixadas de fora. “Estão agradecidas ao governo argentino pela forma como ele as promoveu e protegeu”.

Investigação

Após De Vido entrar com um processo contra Sadous, o juiz Julián Ercolini assinou um pacote de medidas para investigar as denúncias. A apuração inclui a análise de todos os documentos que circularam entre Buenos Aires e Caracas desde 2004, das ordens de compra das companhias que venderam maquinário ao governo chavista e dos informes contábeis da Palmat S.A. e Palmat USA, principal intermediária nas operações com a Venezuela.

O deputado Jorge Yoma preocupou-se: “O efeito desta expectativa, destas câmeras de televisão, será absolutamente negativo para o comercio exterior argentino, quando não existe a menor prova da participação de um membro do governo em atos de corrupção. Mas o dano para o país é evidente”.

Interesses e consequências

Para De Vido, as acusações de Sadous têm pobreza argumental e nenhuma comprovação. O ministro aproveitou para alimentar o fogo cruzado, acusando a Sadous de ser “colaborador e anfitrião dos grupos que derrubaram o presidente Chávez em 2002”.

No último domingo, o jornal Página 12 publicou uma longa reportagem relacionando Sadous à Ordem de Malta e à Propaganda Dois (P-2), organização fascista internacional, e afirmando que o diplomata colaborou com a ditadura nos países da América do Sul. Enquanto isso, o programa 678, da televisão pública, não poupa ataques ao dono do Clarín, Hector Magnetto, a quem Néstor Kirchner chamou de “delinquente”.

O deputado Carlos  afirmou que a “montagem” da mídia se deve aos interesses afetados pelo comércio com a Venezuela. “Aproveitam uma questão importante para o país, a virtuosa relação que cresceu de maneira exponencial e que é muito favorável para a Argentina”. Para Timerman, os jornais de oposição estariam incomodados com estes negócios, que “passaram de 100 milhões de dólares a mais de 1500 milhões”.

Para o pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) e professor de Relações Internacionais da Universidade de San Andrés, Federico Merke, as denúncias não estão sendo tratadas pela oposição como um assunto de política externa.

Em relação às possíveis influências do escândalo nas negociações com a Venezuela, afirma: “Acho que ainda é prematuro para chegar a conclusões definitivas. De qualquer maneira, o governo está fazendo todo o possível para controlar os danos gerados pelas acusações”.

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Governistas acusam mídia de manipular denúncia de embaixada paralela na Argentina

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