Sábado, 9 de maio de 2026
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“Eu gosto daqui, deste lugar, deste Brasil que eu estou vendo”. Foi dessa forma que o ator portorriquenho Benício Del Toro qualificou a visita que faz ao país, durante entrevista exclusiva ao Opera Mundi em frente ao hotel em que esteve hospedado em São Paulo.

A todo momento em que alguém que prendia sua atenção na rua, o ator interrompia a conversa para observar. Lia palavras em português escritas no muro e perguntava o significado de cada uma.  Foram cinco cafés, um misto quente e muitos copos de água até que o astro de Hollywood se sentisse à vontade e abrisse um pouco mais de sua vida, mesclando uma conversa em inglês e espanhol.

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Priscila Pagliuso



Del Toro: “Acho importante tudo o que está acontecendo na América Latina nos últimos tempos”

Del Toro nasceu em Porto Rico, é descendente de italianos, perdeu a mãe muito jovem e foi criado por pai e madrasta. Mudou-se com a família para o estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e mais tarde para a Califórnia, onde estudou cinema: “O começo da minha carreira foi bem difícil. Minha família não ficou muito satisfeita com a escolha profissional que eu tinha feito, acho que eles queriam que eu fosse advogado, como meu pai”.

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No entanto, ele insistiu no caminho. Recebeu milhares de “nãos” antes de conseguir engrenar. “Tinha sempre um porém: ou eu não era alto o suficiente, ou era muito alto, ou não era tão bonito, ou era bonito demais, ou pouco cativante. Enfim, uma hora deu certo.”

O ator, que trabalhou em mais de 15 filmes, entre eles 21 Gramas e as duas partes da cinebiografia de Ernesto “Che” Guevara – produção que lhe rendeu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes –, mostrou ser um homem solitário, mas feliz. “Sou assim por opção. Não sou casado, não tenho namorada, é difícil para as pessoas entenderem. No meu país estão esperando que eu saia do armário. Para eles dou um ‘maricón’, mas eu não me importo”, diverte-se.

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Del Toro desempenhou diferentes papéis: um drogado em Coisas que Perdemos Pelo Caminho, um jardineiro em Ovos de Ouro, um policial em Traffic, trabalho que lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante e que gerou polêmica pelo fato de interpretar um policial mexicano que tenta driblar a corrupção das drogas, mas acaba rendendo-se. Sobre o assunto é categórico: “Corrupção é um dos grandes males da humanidade. É horrível. Quanto às drogas, eu bebo e fumo, mas elas não me enganam nem nunca vão me enganar”.

Del Toro veio ao Brasil a convite de amigos e aproveitou a visita para conhecer um pouco mais das questões políticas locais. O ator simpatiza com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e irá conhecer Dilma Rousseff, candidata do PT à presidência do Brasil. “Acho importante tudo o que está acontecendo na América Latina nos últimos tempos”, opina.  Em seu primeiro dia no país, o ator visitou a escola Florestan Fernandes, do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). “Gostei de conhecer aquele lugar, aqueles jovens com um brilho tão forte nos olhos”. Del Toro também foi apresentado ao escritor brasileiro Fernando Morais – autor de A Ilha (1976) e Olga (1985) – e jantou com amigos, cineastas e o ator Selton Mello.


O Che



Do trabalho como Che Guevara, considerado pelo ator o filme que mais exigiu esforços, restou uma porção de questões pessoais. “Não canso de dizer o quanto ele mudou a minha vida. Mergulhei fundo em análises muito intensas que Che fez durante sua trajetória. Foi um personagem e tanto. Através dele, me autoconheci”, sentenciou.

Priscila Pagliuso



Del Toro visitou a escola Florestan Fernandes, do MST, em Guararema, São Paulo

A semelhança física de Del Toro com o guerrilheiro argentino espantou o próprio ator. Ele conta que em uma viagem, aos 19 anos, viu um pôster de Che e quis saber quem era aquela figura que não só se parecia com ele, mas também era igual a um primo. Comprou o pôster e um livro de cartas e se impressionou com a qualidade e vitalidade dos textos.

Recentemente, Del Toro adquiriu os direitos para o cinema de alguns livros do escritor cubano Leonardo Padura Fuentes, porém, afirmou ainda não ter muito a dizer sobre o projeto. No momento, dedica-se a outro plano guardado a sete chaves. “É segredo por enquanto, mas estou sempre em pesquisa”, adianta.

Nas horas de lazer gosta de escrever, ler e pintar.  Pediu indicações de escritores brasileiros. “Não conheço quase nada”.  Seus autores preferidos são William Faulkner, Ernest Hemingway e Truman Capote. Mas está sempre à procura de algo novo que o cative.

"Gosto deste Brasil que estou vendo", diz Benício Del Toro

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