Terça-feira, 7 de abril de 2026
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O impasse mantido nas negociações entre representantes da ditadura hondurenha, presidida por Roberto Micheletti, e dos legalistas que apoiam o presidente deposto, Manuel Zelaya, é uma estratégia dos golpistas para ganhar tempo, acusam estes últimos.
“Depois de três dias discutindo o mesmo ponto, os delegados de Micheletti retrocederam sobre o que já tinha sido negociado. É como se tudo que se fez aqui até agora tivesse sido à toa”, desabafou o ministro do Interior do gabinete deposto, Victor Meza, um dos membros da comissão de Zelaya.
O impasse está centrado no sexto ponto da proposta apresentada pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, que tentara uma mediação no início da crise. O item prevê a restituição de Zelaya ao cargo para o qual foi eleito e que o acordo entre os dois lados seja ratificado pelo Congresso. Os golpistas, no entanto, exigem que o poder de aprová-los ou não seja entregue à Suprema Corte – exatamente o órgão que determinou a deposição do presidente, em junho.
Após mais um dia de conversações frustradas, nesta sexta-feira (16), Meza falou rapidamente aos jornalistas dentro do hotel em Tegucigalpa onde as partes estão reunidas e explicou a contra-proposta dos representantes de Zelaya. 
“Neste momento, vamos nos apegar à proposta do presidente Arias, que diz que o órgão que tem que respaldar os acordos entre as partes é o congresso nacional hondurenho, o último organismo realmente democrático no país, e não a Suprema Corte. O poder judiciário já se pronunciou sobre tudo isso antes e, portanto, é pouco provável que aprove o acordo”, disse.
Segundo Mesa, a estratégia dos legalistas, agora, será apegar-se ao ponto em que estava na proposta de Arias e defender que apenas o congresso tem legitimidade para respaldar o resultado das negociações.
“A corte suprema não é representativa do povo. Se os juízes são escolhidos pelo congresso”, argumentou o ministro, “a corte é portanto de alguma forma subordinada ao congresso”.
Após as declarações, Mesa voltou para a mesa de negociações. O diálogo em Honduras continua noite adentro, embora, segundo os observadores, esteja de uma forma um pouco mais tensa que antes.
 

Golpistas travam negociações para ganhar tempo, acusam legalistas

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