Garcia defende diálogo com Irã e cobra firmeza dos EUA em Honduras
Garcia defende diálogo com Irã e cobra firmeza dos EUA em Honduras
“O Brasil não é uma agência certificadora: é um país que prega o diálogo e que pode facilitar as negociações”. Com estas palavras, o assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para questões internacionais, Marco Aurélio Garcia, defendeu hoje (12) a política externa do Brasil em relação ao Irã, durante entrevista coletiva concedida à imprensa estrangeira no Rio de Janeiro. Ele lembrou que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, tem visita marcada para 23 de novembro em Brasília, e que o presidente Lula deve ir a Teerã no ano que vem.
Garcia considera que o Brasil não pode dar as costas a um país como o Irã, tanto por estar no centro de uma controvérsia sobre o uso de energia nuclear quanto por ser um interlocutor obrigatório para as negociações de paz no Oriente Médio. Ele reiterou que o governo federal defende o direito de o Irã enriquecer urânio com fins civis, lembrando que a constituição brasileira tem uma disposição que proíbe a fabricação e o uso de armas nucleares.
Esta semana, o presidente israelense Shimon Peres está em visita oficial ao Brasil. Durante o encontro com seu colega – Israel é governada pelo premiê Benjamin Netanyahu – Lula rejeitou as pressões para isolar o Irã e defendeu o convite feito ao presidente iraniano.
“Você não constrói a paz necessária no Oriente Médio se não conversar com todas as forças políticas e religiosas que querem paz e com as que se opõem à paz. Senão, transforma o processo num clube de amigos em que todos concordam com algo e quem discorda fica de fora, tornando a paz impossível”, disse Lula.
Marco Aurélio Garcia acrescentou que esta disposição do Brasil era bem vista inclusive pelos Estados Unidos, já que o presidente Barack Obama pediu ajuda a Lula nas negociações com o Irã e sobre a questão da paz no Oriente Médio. “Tentamos fazer todo o possível, nos limites que temos e sempre a pedido das partes, para ajudar a resolver as tensões”, alfinetou.
De acordo com Garcia, esta particularidade da política externa brasileira é ainda mais notável na região. O governo se ofereceu para ajudar o monitoramento das relações na fronteira entre a Colômbia e os vizinhos Equador e Venezuela. “Eu sei que é difícil acreditar, mas isso não é motivado por nenhuma vontade de hegemonia. Simplesmente, temos interesse a aliviar estas tensões, que podem ser perigosas”, disse. Segundo ele, todos os problemas de segurança deveriam ser contemplados dentro da própria região, sem intromissão de uma potência externa, numa clara referência à instalação de bases militares americanas na Colômbia.
Honduras
Um dos principais problemas da região hoje é Honduras. Garcia defendeu o direito do Brasil a dar abrigo ao presidente legitimo, Manuel Zelaya, mas reiterou que o país não participou da volta do político deposto a Tegucigalpa, “nem tinha conhecimento”.
Para o assessor presidencial, é importante não perder o foco desta crise, que foi o golpe de Estado. “A gente esperava que esta época de violência militar fizesse parte do passado. É muito importante que não volte, ainda mais na América Central, onde os equilíbrios são muito precários”, comentou.
Ele ressaltou as semelhanças entre o golpe que derrubou Zelaya e o que tirou o presidente brasileiro João Goulart do poder, em 1964.
Garcia lamentou o recuo nas negociações por um acordo em Honduras e repetiu a exigência do “Brasil, da América Latina e da América em geral” para uma volta de Manuel Zelaya no poder. Ele considera que se forem realizadas as eleições sem acordo com o presidente legítimo, o governo golpista optará por um grande isolamento do país. “Muitos países já esclareceram que não vão reconhecer o resultado das eleições. Será o maior constrangimento para uma nação aceitar o resultado das urnas nestas condições”, declarou.
Parafusos
Para o assessor de assuntos internacionais, os EUA não fizeram tudo que podiam para reverter a situação. “As sanções que o Brasil pode exercer foram feitas contra o governo golpista, mas são muito pequenas. Quem tem poder para ‘apertar os parafusos’ lá são os americanos”, disse.
Honduras é extremadamente dependente de Washington, seja no plano comercial, humanitário, político, e inclusive militar. “Há bases americanas em Honduras. Inclusive, o avião que levou o presidente Zelaya para a Costa Rica depois do golpe tinha feito uma parada numa destas bases, e não acredito que seja pelo abastecimento. Ou deve ser outro tipo de abastecimento, não sei qual”, ironizou.
Garcia frisou a importância dos laços comerciais entre Washington e Tegucigalpa, o peso das remessas de imigrantes hondurenhos na economia do país, e a necessidade para a elite hondurenha de ter acesso a vistos para EUA. “Se nos tivéssemos este poder de constrangimento, nos exerceríamos”, conclui.
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