Galeria de imagens: no primeiro aniversário do terremoto no Chile, ainda há muita destruição
Galeria de imagens: no primeiro aniversário do terremoto no Chile, ainda há muita destruição
No dia 11 de março do ano passado, ondas gigante atingiram a região chilena entre Llico e Dichato, destruindo ruas, navios, portos, casas, escolas e hospitais. As pessoas que viviam nestas cidades perderam tudo em três minutos e muitas, até hoje, continuam sem nada.
Veja as imagens:

Placas alertam para risco de novos tsunamis nas ruas de Talcahuano, onde, um ano atrás, ondas gigantes jogaram barcos pesqueiros e navios contra casas, escolas e hospitais. Apesar do discurso de reconstrução, ruínas de edifícios e cascos de embarcações viradas pelo tsunami ainda fazem parte da paisagem.

Lição aprendida com o tsunami de um ano atrás fez com que cidades como Talcahuano se adaptassem a tragédias iminentes e espalhassem placas que indicam a rota segura para deixar o local em caso de um novo maremoto. Hoje, a cada novo tremor, moradores fogem para a serra, sem esperar pelas recomendaçoes da Marinha ou dos bombeiros.
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Pescadores conversam no atracadouro de Talcahuano, um ano após o terremoto seguido de tsunami que transformou a cidade num cenário de guerra. Bandeiras com o slogan Fuerza Talcahuano se misturam com navios destroçados e máquinas que ainda tentam reerguer uma das cidades mais duramente afetadas pela tragédia.

Para garantir sua inclusão nos programas de subsídios governamentais, sobreviventes identificam suas ex-moradias escrevendo com spray seus próprios nomes nas fachadas, junto com slogans de resistência e mensagens políticas. Apesar da pressão, governo garante que não permitirá reocupação da orla marítimado povoado de Dichato, sujeita a novos tsunamis.

Ruínas de casas e lojas ainda se extendem por toda a extensão da praia de Dichato, na costa centro-sul do Chile. Local que teve quase todas as suas casas destroçadas é chamada de ‘marco zero’ da tragédia.
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Um dos grandes desafios da reconstrução é definir como e onde serão construídas as novas casas. Se, por um lado, pescadores não podem viver longe do mar, por outro, é preciso saber qual a distância segura da costa em caso de um novo tsunami. Governo estuda a construção de “casas anti-maremoto”, com o primeiro andar de concreto e o segundo de madeira.

Nenhuma construção ficou de pé na orla de Dichato após o tsunami que fez com que ondas de mais de três metros arrebentassem contra a cidade. Ruínas de casas e lojas ainda estão por toda a extensão da praia, que costumava ser um dos principais balneários turísticos da região.

Exatamente um ano após o tsunami, muitos chilenos revisitaram locais devastados para ver de perto as marcas da pior catástrofe da história do país. O turismo, a pesca e o pequeno comércio tem ajudado a reaquecer a economia dos pequenos povoados costeiros arrasados pelo tsunami.

Nas aldeias provisórias, governo e ONGs concentram um pacote de serviços assistenciais. Galpões são usados como centros de recreação infantil e algumas casas abrigam padarias e pequenas mercearias, formando um mínimo comércio local. Para moradores que viveram nos bosques e montanhas sob lonas improvisadas durante mais de três meses, as aldeias são o mais próximo do modelo de cidade que existia antes da tragédia.

Idosos são os que mais sofrem nas aldeias provisórias e acampamentos da costa do Biobio. Tiosfila Marín, de 74 anos, deixou a casa na praia para viver numa das aldeias, no pé da serra do mar. Sem banheiro em casa, moradores mais velhos são obrigados a improvisar penicos e pedir ajuda a vizinhos para conseguir água limpa e realizar pequenos reparos nas cabanas. Idosos que antes eram referência no pequeno porto de pescadores passaram a viver como indigentes na própria cidade.

Aldeias provisórias são pouco melhores que a maioria das favelas brasileiras, com a diferença de que, no Chile, as temperaturas negativas e os fortes ventos são comuns na maior parte do ano. Moradores como Israel Chávez, de 41 anos, reclamam da estrutura precária do abrigo onde deverá viver por pelo menos mais um ano, de acordo com promessas do governo. “No inverno passado o teto da minha casa saiu voando no meio de uma tempestade”, conta Chávez.

Apesar da precariedade, muitos sobreviventes, traumatizados, dizem preferir viver nas aldeias que de frente para o mar. Há um ano, o governo chileno se nega a construir banheiros privados ou fazer novas melhorias sob o argumento de que essas medidas transformariam as aldeias provisórias em favelas definitivas.

Além das pequenas aldeias de pescadores e portos pesqueiros, cidades maiores como Concepción, capital da Regiao do Biobio, também foram duramente afetadas pelo desastre. Nenhum dos grandes edifícios arruinados pelo terremoto foram demolidos, um ano depois da tragédia. Em alguns casos, os escombros ainda servem para a realização de perícias em casos que envolvem mortes e disputas judiciais.

Crianças brincam dentro de domo de plástico armado pelo governo na aldeia El Molina, em Dichato. Nicole Reyes, de 9 anos (de cabeça para baixo), diz que nunca mais quer morar perto do mar. “Do que eu mais sinto falta é do meu próprio quarto”, disse.Uma de cada três escolas foi destruída pelo terremoto e pelo maremoto de um ano atrás, mas esforço concentrado do governo fez com que o calendário escolar fosse mantido.

Moradores da aldeia El Molina, em Dichato, realizam cerimônia evangélica para marcar um ano da tragédia que arrasou com o pequeno povoado. Sobreviventes dizem que o desastre fez crescer o número de evangélicos, que buscam na religião uma forma de explicar o que aconteceu e superar a difícil vida nas aldeias e acampamentos provisórios.
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