Domingo, 5 de abril de 2026
APOIE
Menu

Os chefes de Estado ou de governo do Grupo dos Vinte (G20, os países mais ricos e as principais nações emergentes) abrem hoje (24), com um jantar de trabalho, a terceira cúpula, que discutirá como aprimorar as reformas financeiras para evitar outra crise econômica global. No entanto, a reunião deve terminar com declarações de intenções sobre planos futuros e poucos compromissos específicos.

Segundo a minuta da declaração final do encontro, à qual a Agência EFE teve acesso, os líderes do G20 não farão referência à suspensão das medidas de estímulo. Mas se comprometerão a “seguir apoiando a atividade econômica até que a recuperação se consolide claramente”.

O grupo também pedirá o estabelecimento, em cooperação com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de “um processo transparente e confiável para a retirada” tanto “do apoio fiscal e monetário extraordinário” como “do respaldo ao sistema financeiro”.

Determinar agora um prazo específico para a suspensão dos planos de estímulo, segundo os analistas, faria os mercados desabarem.

A minuta fala ainda da importância de as remunerações pagas aos altos executivos dos bancos estarem vinculadas a metas de longo prazo, mas sem ter um teto específico, como havia sugerido o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

O texto pede que um acordo internacional sobre este ponto seja assinado antes do fim do ano.

De modo geral, os países prepararam várias propostas polêmicas para serem apresentadas ao longo da cúpula. Mas, em nome do consenso, quase todas tiveram que ser suavizadas, como aconteceu no caso das remunerações dos diretores de bancos e no do aumento de capital das instituições financeiras.

A declaração final do encontro, segundo a minuta, evita menções específicas a países, mas destaca a importância da poupança interna e da redução do déficit em algumas nações. Além disso, incentiva o aumento da demanda interna em outros países e reformas estruturais que aumentem as chances de crescimento.

Avanço

O único ponto concreto em que houve avanço foi o relativo às exigências feitas por Brasil, Rússia, Índia e China (Bric), que pediram maior poder de voto para os países emergentes no FMI.

Embora essas nações tenham pedido um aumento de sete pontos percentuais em sua representatividade, a minuta diz que os países ricos vão transferir “pelo menos” 5% de seus votos no FMI aos países em desenvolvimento “dinâmicos”.

Os participantes da cúpula do G20 já começaram a chegar a Pittsburg, cidade do leste dos Estados Unidos escolhida para abrigar a reunião. A maioria dos chefes de Estado ou de governo chega de Nova York, onde acontece a Assembleia Geral das Nações Unidas.

A reunião do grupo começa hoje, às 23h30 (20h30 de Brasília), com um jantar no Jardim Botânico local.

Confrontos

Antes mesmo da abertura da terceira cúpula do G20, cerca de duas mil pessoas participaram de uma marcha em Pittsburgh. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, segundo informações da Agência Reuters.

“Vocês devem deixar a vizinhança imediata, não importa qual seja seu objetivo”, disse a polícia com megafones cerca de uma hora após o início da marcha.

Com cartazes condenando o capitalismo, alguns manifestantes que lideravam o protesto e tinham os rostos cobertos por máscaras desacataram os agentes e atiraram garrafas. A polícia reagiu lançando de frascos de gás contra a multidão, que se dispersou.

Brian Blanco/EFE

Os protestos em Pittsburgh começaram ontem à noite, quando membros do Greenpeace se penduraram em uma das 400 pontes que cortam a cidade para estender um cartaz de 25 metros de altura que alertava para os riscos da mudança climática e a importância de reduzir as emissões de CO2.

Também nesta quarta-feira, representantes de vários grupos se reuniram na sede da organização Resistance Project, que agrupa várias associações, para planejar os protestos de hoje.

G20 realiza terceira cúpula sem expectativa de medidas concretas

NULL

NULL

NULL