Domingo, 5 de abril de 2026
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A próxima reunião de cúpula do G20, grupo dos países desenvolvidos e principais emergentes, dificilmente dará origem a uma plataforma comum de regulação do sistema financeiro global, segundo analistas presentes à conferência “Prévia de Pittsburgh: O G20 e a Economia Global”, organizada pelo ‘think tank’ norte-americano Council of Foreign Relations. O encontro será realizado nos dias 24 e 25 de setembro, em Pittsburgh, Estados Unidos.
Para eles, a necessidade de cuidar dos assuntos internos levará principalmente os Estados Unidos e a Europa a dificultarem a criação de uma frente coordenada contra a crise econômica global. Segundo Edwin Truman, professor do Instituto Internacional de Economia Peter G. Peterson, “o embate reside no desejo de se criar mecanismos de coordenação versus os desejos políticos de cada nação”. “Cada um precisa responder às exigências internas, ao desemprego, e as pessoas pedem medidas rápidas”, afirmou.
A taxa de desemprego nos Estados Unidos subiu 0,3 ponto percentual em agosto, para 9,7%, o maior patamar registrado em 26 anos. Na zona do euro, o índice é de 9,5%, recorde desde maio de 1999.
David Wessel, editor de Economia do Wall Street Journal, considera natural que em meio a uma crise como a atual, as pessoas pensem “precisamos sair dessa” e olhem para dentro “em vez de incentivar o coletivo”.
“O desenvolvimento da macroeconomia, a reparação do sistema financeiro e a regulação das instituições financeiras são essenciais. A grande lição é que os bancos estiveram livres para agir por muito tempo e isso ajudou a agravar a crise. A questão agora é se os líderes de cada país terão força suficiente para ditar a política fiscal”, afirmou Truman.
Bônus
Convencer as pessoas de que é preciso cuidar das instituições financeiras e dentre elas, os bancos, que viraram grandes vilões após o pagamento de gratificações aos altos executivos, não será fácil. “Boa parte pensa que eles foram os responsáveis pela crise”, lembrou Wessel. “O fim dos bônus é o único tópico que as pessoas prestam atenção e talvez os líderes só discutam temas nessa linha”.
“Como bem disse Mervyn King (economista britânico), ‘os bancos são globais quando em vida, e nacionais quando morrem’. A falta de regulação de bancos não traz bens pra economia”, disse o jornalista.
Hoje (18) a chanceler alemã, Angela Merkel, destacou que a cúpula do G20 deve encontrar também respostas ao excesso de poder dos grandes bancos, para evitar que estes cheguem a “chantagear” os Estados, e condenou a falta de limites de pagamento. Em comunicado conjunto emitido ontem, os líderes da União Europeia pediram também a continuação dos planos de reativação econômica.
Emergentes
A ideia de impor regras ao bancos, segundo os analistas, sofre resistência dos países emergentes. “O raciocínio é de que eles não foram a causa dessa crise atual, logo, não precisam adotar medidas tão fortes”, explica Wessel.
Mas o risco para esses países, segundo Truman, é grande. “A perda de fluxo de capital e de comércio existe. O mercado de consumo norte-americano diminuiu e isso é um fato concreto. A ação conjunta e coordenada contra a crise é necessária”. “O G20 é a validação de que o G7 é história”, concluiu Wessel.
O G20 é formado por Brasil, União Europeia, G7 (integrado por Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França), Coreia do Sul, Argentina, Austrália, China, Índia, Indonésia, México, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia e Rússia.

G20 deve falhar em criação de plataforma comum contra a crise, dizem especialistas

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