Sexta-feira, 24 de abril de 2026
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O chefe do grupo fundamentalista tchetcheno Emirados Islâmicos do Cáucaso, Doku Umarov, assumiu hoje (31) a autoria do duplo atentado nas estações de metrô em Moscou por meio de um vídeo divulgado pelo site russo KavkazCenter.com.

Umarov (que também usa o nome “Dokka Abu Usman”, em estilo árabe, e se denomina “emir do Cáucaso”), disse que ele próprio ordenou os ataques, que chamou de “atos legítimos para retaliar o massacre feito pelos russos” na aldeia de Arshty, em 11 de fevereiro deste ano.

“Ambas as operações foram realizadas sob meu comando e não serão as últimas”, ameaçou no vídeo que, de acordo com ele, foi gravado no próprio dia dos atentados.



Página do site KavkazCenter.com que divulgou o vídeo com o depoimento de Doku Umarov assumindo os ataques

As afirmações contrariam a declaração de Shemsettin Batukaiev, porta-voz do grupo, que mais cedo dissera em entrevista à agência de notícias britânica Reuters, em Istambul (Turquia), que a responsabilidade dos atentados não era do grupo.

“Não fomos nós que organizamos o ataque em Moscou e não sabemos quem foi”, disse Batukaiev. Segundo o porta-voz, o grupo não tem o objetivo de atingir alvos civis.

Separatismo

O grupo Emirados Islâmicos do Cáucaso, que já havia anunciado ataques em cidades russas como vingança por assassinatos de líderes por policiais, defende uma política separatista. Para eles, a região do Cáucaso deve ser independente e governada sob os princípios da sharia, a lei islâmica.

De 1991 a 1994, separatistas da Tchetchênia (no norte do Cáucaso) entraram em guerra com o governo de Moscou e conseguiram a independência na prática, ainda que não reconhecida. Porém, no ano 2000, o então presidente e atual primeiro-ministro, Vladimir Putin, recuperou o comando da região pela força e re-estabeleceu governo direto do Kremlin.

Analistas de segurança da FSB (Serviço Federal de Segurança, ex-KGB), principal agência de inteligência russa, já apontavam organizações do norte do Cáucaso como suspeitas pelos sucessivos ataques desta semana. Duas mulheres foram apontadas como responsáveis pelas explosões e seriam originárias da região.

Ainda no vídeo, Umarov ironizou as acusações de terrorismo feitas pelo governo e pela imprensa e disse que as trata “com um sorriso no rosto”. Segundo ele, ninguém considerou Putin como “terrorista” quando teria ordenado o “massacre” de civis em Arshty.

Ameaças

O chefe do grupo fundamentalista ainda fez ameaças e disse que não irá mais assistir de braços cruzados à guerra que, segundo ele, é promovida pela Rússia na região.

“A guerra vai chegar às ruas e todos vão sentir os efeitos dela em suas vidas, em suas próprias peles”, advertiu.

O site russo que divulgou o vídeo já havia publicado declarações de falsos militantes reivindicando a autoria DE outros ataques, porém, desta vez a legitimidade do vídeo com o depoimento de Doku Umarov foi confirmada pelo Centro Americano de Vigilância de Páginas Islâmicas.

 

Novos ataques

 

Cidadãos russos voltaram a entrar em pânico hoje, quando novos atentados ocorreram, desta vez na república do Daguestão, no sul do país e vizinha à Tchetchênia. Assim como em Moscou, o atentado ocorreu próximo à sede local da FSB, o que fez com que autoridades atribuíssem a culpa aos mesmos responsáveis pelas explosões anteriores.

“Outro ataque terrorista foi executado. Não duvido que seja o último e do mesmo grupo”, disse o primeiro-ministro Vladimir Putin.

Já o presidente Dmitri Medvedev reforçou sua política antiterrorismo e prometeu endurecer as leis.

“Todos são elos da mesma cadeia e uma manifestação da atividade terrorista que nos últimos tempos voltou a afetar o norte do Cáucaso, contra a qual lutamos e continuaremos lutando”, declarou durante sessão do conselho de segurança do país, em Moscou.

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Fundamentalistas tchetchenos assumem autoria de atentados em Moscou

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