Sábado, 9 de maio de 2026
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As autoridades mexicanas investigam de quem é a responsabilidade pelo incêndio no centro de detenção de migrantes, em Ciudad Juarez, que matou 39 pessoas e deixou outros 27 feridos na terça-feira (28/03). A Procuradoria-Geral do México identificou oito funcionários suspeitos de não terem ajudado os migrantes no momento que o fogo se espalhou pelo centro.

Dois agentes federais, um agente estadual de migração e cinco funcionários de uma empresa privada são suspeitos de terem omitido socorro aos migrantes durante um grande incêndio no centro de retenção em Ciudad Juarez.

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“Nenhum dos servidores públicos nem dos agentes de segurança privada fizeram qualquer ação para liberar os migrantes” após o início do incêndio, ressaltou a promotora especializada em Direitos Humanos Sara Irene Herrerías, durante uma entrevista coletiva na quarta-feira (29/03).

Um vídeo de 32 segundos, gravado pelas câmeras de vigilância, mostra o início do incêndio na madrugada de segunda-feira (27/03). No meio da fumaça, um homem aparece dando chutes em uma porta fechada. No mesmo momento, é possível ver três agentes de segurança virando de costas e indo embora, sem prestar assistência aos detidos.

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A procuradoria pediu à Justiça a prisão de quatro dos funcionários, que não foram identificados. A morte dos migrantes é investigada como suspeita de homicídio. 

Um migrante também foi identificado como responsável pelo fogo.

Procuradoria-Geral do México identificou oito funcionários suspeitos de não terem ajudado os migrantes no momento que o fogo se espalhou pelo centro

Joaquín López-Dóriga/Twitter

Manifestante segura cartaz dizendo: "Governo, assuma sua responsabilidade"

Centros são bomba-relógio

O incêndio foi provocado por migrantes que estavam detidos no centro e protestavam contra sua deportação, segundo as autoridades mexicanas.

“Isso é o resultado de uma política de criminalização da migração. O fato de que as pessoas tenham decidido se manifestar de alguma maneira é mostra de seu cansaço sobre as más condições desses centros. São condições comparáveis às de tortura e de maus-tratos”, considera Melissa Vertiz, representante do Grupo de Trabalho sobre Política Migratória. 

“[Esses centros] são uma bomba-relógio. Ali há muitas pessoas a quem não se dá respostas quando apresentam seus pedidos de asilo e outras que veem de países inseguros. E a única resposta do governo é deixá-los nestas detenções migratórias ou praticamente em situação de rua”, denuncia Vertiz.

A maioria das vítimas do incêndio vinha de países da América Central e buscava entrar nos Estados Unidos. 

O presidente mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador, prometeu que não haverá impunidade para quem “provocou esta dolorosa tragédia”.