Domingo, 29 de março de 2026
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Após 65 anos de ocupação militar, a França entregou ao Senegal suas últimas bases e instalações de defesa nesta quinta-feira (17/07), marcando o fim da presença permanente do exército francês no país africano. 

O governo do país europeu desocupou a base militar de Camp Geille, localizada na capital senegalesa de Dakar, além de uma estrutura no aeroporto da mesma cidade. De acordo com a mídia local, durante a cerimônia, a bandeira verde, amarela e vermelha do Senegal foi hasteada no lugar da francesa.

O chefe do Estado-Maior do Senegal, general Mbaye Cissé, disse que a retirada do exército faz parte da nova estratégia de defesa do país.

“Seu principal objetivo é afirmar a autonomia das forças armadas senegalesas, contribuindo para a paz na sub-região, na África e no mundo”, declarou.

O processo de retirada começou em março. Desde então, cerca de 350 soldados da França deixaram a nação africana. A ocupação militar se posicionou no Senegal desde sua independência em 1960. Contudo, quando Bassirou Diomaye Faye chegou ao poder em 2024, pressionou pela saída dos europeus do país.

“O Senegal é um país independente e soberano, e a soberania não permite a presença de bases militares [estrangeiras]”, disse em discurso, em dezembro passado.

Após 65 anos de ocupação militar, a França entregou ao Senegal suas últimas bases militares
X/International Crisis Room

Em maio deste ano, o primeiro-ministro do Senegal, Ousmane Sonko, deu um prazo para que todas as tropas estrangeiras estacionadas no país sejam retiradas até o final de julho. Segundo o premiê, trata-se de uma medida para consolidar a soberania nacional.

“Notificamos todos os países que possuem bases militares no Senegal de que exigimos a retirada completa. Não haverá mais bases militares estrangeiras em território senegalês”, havia dito Sonko, em entrevista à emissora nacional de Burkina Faso, RTB.

Nos últimos anos, o governo da França tem perdido sua influência e enfrentado crescente oposição sobre sua presença no continente africano, à medida que cada vez mais os países optam pela diversificação de seus parceiros de segurança, distanciando-se da cooperação militar francesa da era colonial.

As tropas do país europeu já foram forçadas a deixar Mali, Burkina Faso e Níger. Nos movimentos mais recentes, as bases militares francesas foram fechadas no Chade, em janeiro, e na Costa do Marfim, em fevereiro.

(*) Com RT en Español