Quarta-feira, 8 de abril de 2026
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Os ministros de Relações Exteriores da França, Jean Michel Barrot, e da Alemanha, Annalena Baerbock, se reuniram nesta sexta-feira (03/01), em Damasco, com Ahmed al Sharaa, líder do grupo rebelde sírio Hayat Tahrir al Sham, que tomou o poder no país em dezembro passado, colocando fim ao regime do ex-presidente Bashar al Assad.

Após sua chegada à capital da Síria, a ministra alemã declarou à imprensa que “neste momento, os sírios têm a oportunidade de tomar em suas próprias mãos o destino do seu Estado, e nós queremos apoiá-los nisto, na transferência de poder inclusiva e pacífica, na reconciliação da sociedade, na reconstrução, além da ajuda humanitária que temos fornecido continuamente”.

A diplomata acrescentou que Berlim espera que o governo de transição sírio “garanta a participação no processo político dos diferentes grupos religiosos e étnicos, como os alauitas, os cristãos, os drusos ou os curdos, bem como das mulheres”.

“Uma redefinição social só pode ser bem-sucedida se for inclusiva e aberta. O governo de transição deve comprometer-se agora com isto e iremos julgá-lo pelas suas ações”, disse Baerbock.

Televisão estatal da Síria
Ministros da França e da Alemanha se reuniram em Damasco com líder do grupo rebelde sírio Hayat Tahrir al-Sham

Apesar do apelo à inclusão, a própria Baerbock, durante a reunião com al Sharaa, recebeu um tratamento diferenciado: enquanto o chanceler francês Barrot recebeu um apertou de mão do líder do grupo islâmico, a saudação à ministra alemã se limitou a um simples aceno com a cabeça.

Os dois ministros disseram, após o encontro, que falavam em nome da União Europeia, e que o bloco estaria “pronto para apoiar a Síria na sua reinicialização política e transferência pacífica de poder, na sua reconstrução e reconciliação social”.

“Para a União Europeia, a soberania e a integridade territorial da Síria são fundamentais para garantir que uma ordem política nova e inclusiva possa desenvolver-se na Síria”, afirmou Baerbock, a respeito do posicionamento do bloco europeu.

Vale lembrar que o Hayat Tahrir al Sham é considerado como um “grupo fundamentalista islâmico” por parte do governo da Rússia, e como “terrorista” pelos Estados Unidos, Turquia e Irã, e também pela Organização das Nações Unidas.