Quinta-feira, 23 de abril de 2026
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Logo após se certificar de que sua família e amigos estavam bem depois do terremoto que atingiu o Chile no sábado (27), o fotógrafo e jornalista chileno Heia Kato saiu às ruas de Santiago com a câmera fotográfica nas mãos. Desejando capturar pelas lentes os momentos seguintes ao abalo de 8,8 graus de magnitude, um dos mais fortes já registrados na história, Kato foi além e produziu uma composição de imagens que testemunha o sofrimento e destruição.



Heia Kato


“Saí sem rumo por Santiago. Na parte antiga [Casco Antiguo], fotografei edifícios construídos entre os anos 1900 e 1930 destruídos. Todos foram feitos com adobe [terra seca com água, palha e madeira] e não resistiram ao tremor”, afirmou em entrevista ao Opera Mundi.

Kato contou que a maioria das pessoas que vivem lá são imigrantes peruanos, que já enfrentavam péssimas condições. “N a hora em que cheguei, muitos estavam dormindo na rua, sem nada. O exercício de tirar as fotos foi desolador, penoso, cuidadoso, mas sem dúvida, muito humano. Não quis cair no mau gosto, mas sim mostrar a realidade tal como ela é. Tentei aproximar o observador do sentimento daquelas pessoas”, explicou.

Heia Kato

Após fazer mais de 300 registros, Kato, que trabalha como freelancer para jornais chilenos e estrangeiros, selecionou as imagens que melhor retratavam a atmosfera de Santiago horas depois do terremoto. “Sinto que consegui com meu trabalho captar a realidade, a dor, os sonhos de milhares de pessoas sumindo em segundos. Houve muita destruição. Entrevistei pessoas que perderam suas casas e elas me disseram que rezam por ajuda para sobreviver, pois não têm dinheiro.”

Para Kato, a fotografia tem a capacidade de documentar com exatidão os principais acontecimentos mundiais e principalmente, de emocionar as pessoas como nenhum outro meio. “As fotografias, como a televisão, reproduzem a realidade crua. Sem dúvidas a foto fica retida na memória das pessoas, ainda mais em um momento difícil como esse pelo qual passa o Chile. As tragédias são contadas por meio de suas vítimas, mas também pelas imagens”.

Heia Kato

Fotógrafo chileno registra destruição em bairro ocupado por peruanos

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