Quarta-feira, 29 de abril de 2026
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O candidato do Partido Verde (PV) à presidência da Colômbia, Antanas Mockus, enfrenta o pleito do domingo (20/6) com poucas chances de sucesso, já que a esperança que despertou foi perdida por erros próprios e também pela habilidade e a máquina política de seu rival, Juan Manuel Santos.

Em entrevista a agência de notícias espanhola Efe, o analista político Fernando Giraldo considerou que Mockus não soube transformar a simpatia despertada entre muitos cidadãos em um “compromisso” com o voto pelo PV.

Porém, para Giraldo, vários fatores levam a uma folgada vitória de Santos no segundo turno de 20 de junho. No primeiro turno, realizado em 30 de maio e com uma abstenção próxima de 51%, Santos levou 25 pontos de vantagem em cima de Mockus.

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Matemático, filósofo e ex-prefeito de Bogotá (em dois períodos, 1995-1997 e 2001-2003), o candidato verde não conseguiu “motivar” aos indecisos do primeiro turno e dificilmente conseguirá no segundo, ressaltou Giraldo ao explicar que quem não vota na Colômbia argumenta que o motivo é “a falta de confiança nos políticos”, nem nos tradicionais como Santos nem nos que saem do esquema típico, como Mockus.

Segundo o analista, a mensagem transmitida por Mockus ao eleitores está em desvantagem contra a de Santos, pois enquanto o primeiro promete “manter as conquistas” do presidente Álvaro Uribe, especialmente em matéria de segurança, o segundo procura aprofundar as políticas do atual governante.

“O povo tem a percepção de que quem dará continuidade às políticas de segurança é quem já demonstrou que pode fazê-lo”, neste caso Santos, que foi ministro da Defesa (2006-2009) de Uribe, o que demonstra que a população colombiana “não quer correr riscos”, refletiu Giraldo.

Além disso, o recente resgate de quatro militares em poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), também beneficia a Santos, já que o fato se tornou o “novo êxito” da política de segurança de Uribe, que por sua vez é do mesmo partido de Santos.

A segurança, segundo Giraldo, foi o principal eixo da campanha eleitoral desde janeiro, com um pequeno parêntese em março e abril quando a questão da corrpução ganhou força no discurso do PV, coincidindo com um forte avanço nas pesquisas do candidato verde.

Os colombianos “no fundo estão conscientes” de que muito do conquistado pelo governo de Uribe foi fruto das grandes doses de “ilegalidade” e corrupção, por isso começaram a “escutar” a proposta de Mockus, quando a Corte Constitucional baixou o referendo sobre a reeleição do governante.

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A partir disso, a “onda verde” ganhou força, graças ao apoio dos jovens através das redes sociais de internet, mas também pelos meios de comunicação, que na opinião de Giraldo “foram importantes no crescimento” do candidato.

Falhas

Giraldo acredita que as imprecisões e dúvidas de Mockus sobre alguns temas fizeram Santos aproveitar para alfinetar o adversário como um candidato “indeciso”. Além disso, o fato de Mockus não demonstrar o “espírito partidário” em apoio cidadão e a tendência dos jovens, principal trunfo de Mockus, de não comparecerem a eleição tiraram a força da “onda verde”.

Outro aspecto importante é que o ex-prefeito não conseguiu cooptar outros votos dos colombianos que, “por convicção”, se decantaram pelo candidato esquerdista Gustavo Petro e pelo da Mudança Radical, Germán Vargas Lleras, com pleno conhecimento que seria necessário um segundo turno porque, segundo as pesquisas, ninguém alcançaria a maioria absoluta.

Nos últimos dias da campanha, “o presidente Uribe também colocou sua mão”, sustentou Giraldo, em referência aos reiterados discursos nos quais convidou à população a votar em Santos de maneira quase explícita.

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"Fenômeno Mockus" desaparece diante de candidato governista

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