Familiares enterram equatoriano morto durante rebelião policial
Familiares enterram equatoriano morto durante rebelião policial
“É doloroso o que aconteceu com meu sobrinho, mas também me sinto muito orgulhoso porque ele ter morrido lutando pelos ideais de justiça, defendendo o presidente [Rafael] Correa. Eu sempre o terei em meu coração”. Alex Fernández, tio de Juan Pablo Bolaños, de 24 anos, que morreu na última quinta-feira (30/9) durante a rebelião dos policiais no Equador, fala com emoção sobre o sobrinho ao Opera Mundi. O funeral do rapaz aconteceu na tarde desse sábado (02/10) no cemitério de Monteolivos, em Quito. Durante a cerimômia, estudantes e parentes nao contiveram as lágrimas. O presidente também prestou homenagem ao jovem, que morreu nos arredores do hospital onde ele esteve detido.
Simone Bruno

A cerimônia de enterro de Juan Pablo Bolaños aconteceu no cemitério de Monteolivos, em Quito
Bolaños era formado em Economia na Universidade Central de Quito, onde fez parte de movimentos estudantis. Carlos Torres, presidente da Feue (Federação de Estudantes Universitários do Equador), da qual o jovem assassinado fazia parte, relatou o que aconteceu na quinta-feira (30/9). “Fomos ao hospital pela defesa da democracia. Seguimos para a rua de forma pacífica e acabamos brutalmente reprimidos. Quando os militares chegaram, nos unimos a eles para resgatar o presidente. Dispararam tiros e bombas de gás lacrimogêneo, por isso nos dispersamos e este foi o último momento que vi Juan Pablo. Os tiros vinham dos tetos. Quem dispara de lá? São os francoatiradores!”, denunciou.
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Torres contou também que os alvos dos disparos eram, sem dúvida, os civis: “houve um momento em que nós nos escondemos atrás de uma parede, apenas civis, não militares. Dava para ouvir as balas contra a parede. Eles continuavam disparando mesmo sabendo que lá só havia civis. Os militares tiveram que nos salvar”.
O estudante foi baleado por volta das nove horas da noite, segundo aqueles que estavam próximos a ele, mas somente uma hora depois recebeu socorro. Morreu na ambulância.
Simone Bruno

Mateo, irmão de Juan Pablo, falou ao Opera Mundi que no momento do disparo havia se perdido do jovem. “Ele apoiava muito o presidente, estudava economia porque o tinha como exemplo. Quando soubemos o que estava acontecendo decidimos sair e fomos os dois”, disse. Rafael Correa cursou mestrado em Economia pela Universidade de de Lovaina, Bélgica, e Doutorado pela Universidade de Illinois, Estados Unidos.
“Só pedimos justiça, nao é possível que alguém que foi defender a pátria com pedras seja assassinado por quem está sendo pago para nos proteger”, desabafou Mateo.
Hoje também foram enterrados os policiais que morreram na operação de resgate de Correa. Froilán Jiménez, de 28 anos, era cabo do GIR (Grupo de Intervenção e Resgate) e foi morto com um tiro no peito durante a libertação do presidente. A bala o atingiu no momento em que escoltava Correa. As outras vítimas foram o policial Efrén Calderón e o militar Jacinto Cortez além de outros dois civis na cidade de Guayaquil. Os números oficiais falam em aproximadamente 200 feridos.
Simone Bruno

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