Quarta-feira, 8 de abril de 2026
APOIE
Menu

Os parentes de Jean Charles de Menezes, jovem brasileiro morto a tiros pela polícia de Londres em 2005 ao ser confundido com um terrorista, receberão uma indenização de 100 mil libras (286 mil reais). Segundo o jornal britânico Daily Mail, a compensação será baixa porque foi considerado que a família não teria recebido uma grande ajuda econômica de Jean Charles se ele ainda estivesse vivo.

Além disso, a quantia, estipulada em um acordo entre a família e a polícia de Londres, teria sido mais alta se Jean Charles fosse casado e tivesse filhos.

A indenização, como conta o Daily Mail, contrasta com as 400 mil libras (1,1 milhão de reais) pagas ao então chefe da Polícia Metropolitana, Ian Blair, responsável por essa força policial na época da morte de Jean Charles, após deixar o cargo em 2008.

Os advogados de Jean Charles tinham sugerido que a indenização fosse de 300 mil libras (858 mil reais) pela operação da polícia.

Crime

Jean Charles, um eletricista mineiro de 27 anos, recebeu oito tiros (sete na cabeça e um no ombro) disparados por agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard.

O jovem foi confundido com um dos autores dos atentados fracassados do dia anterior, que pretendiam imitar os ataques de 7 de julho de 2005 na capital britânica, nos quais 56 pessoas morreram, entre elas os quatro terroristas suicidas.

Em 2007, a Polícia Metropolitana foi declarada culpada de violar a Lei de Saúde e Segurança no Trabalho do Reino Unido, que obriga as forças da ordem a garantir a segurança tanto dos agentes quanto de outras pessoas, mas não foi processado nenhum agente em particular.

Em dezembro de 2008, foi instalado um inquérito público judicial sobre a morte do brasileiro. Foram ouvidas quase 70 testemunhas, 40 delas policiais. O inquérito, semelhante ao que foi realizado para esclarecer a morte da princesa Diana, não constituía um julgamento comum, já que não era um processo e, portanto, não podia condenar ninguém.

Este tipo de “investigação pública” – um procedimento jurídico específico da Inglaterra e de Gales-  tem como objetivo determinar as causas de uma morte em circunstâncias violentas ou não explicadas.

Embora não resultem em uma condenação judicial, as conclusões do júri poderiam servir de base para outros passos legais, como reclamar que os culpados prestem contas ante à justiça se o júri tiver concluído que a morte foi um assassinato.

O inquérito terminou em 12 de dezembro de 2008, com um veredicto 'aberto'. Em outras palavras, o júri concluiu não ter certeza sobre as circunstâncias da morte de Jean Charles.

Família de Jean Charles receberá indenização baixa por ser pobre, diz jornal

NULL

NULL

NULL