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Jorge Rafael Videla, ex-ditador argentino e Luciano Benjamín Menéndez, ex-general, ambos acusados de violações aos direitos humanos durante a última ditadura militar (1976-1983), dormiram enquanto escutavam o depoimento de outros réus. Além deles, mais 29 pessoas são julgadas pelo fuzilamento em 1976 de 31 detidos em uma prisão da província de Córdoba.

“Videla e Menéndez dormindo lado a lado”, descrevia reportagem do jornal cordobês La Voz. “Por vários momentos tombava sua cabeça sobre o ombro de seu companheiro Luciano Benjamín Menéndez”, detalhou o site Diário del Juicio, feito pela associação de direitos humanos Hijos para acompanhar o processo.

Reprodução da reportagem do site argentino TN

Ironicamente, a imprensa local relatou que os dois só acordaram quando uma pasta que Videla tinha no colo caiu sobre o carpete da sala.

Até ontem (6/7), prestaram depoimento, além de Videla e de Menéndez, 20 dos 31 acusados. O julgamento, o primeiro de Videla desde 1985, quando foi condenado à prisão perpétua no histórico julgamento das juntas militares, tem previsão de ser concluído em seis meses. Em 1990, o ex-ditador foi indultado pelo então presidente Carlos Menem mas, em 2007, a Suprema Corte derrubou a anistia, restaurando a sentença.

Na segunda-feira (5/7), Videla, de 84 anos, assumiu e defendeu os crimes cometidos no período. “Assumo minha responsabilidade na guerra interna, meus subordinados se limitaram a cumprir minhas ordens”, afirmou diante do tribunal de Córdoba. Videla é considerado um dos principais símbolos da repressão do último governo militar da Argentina, instaurado após o golpe de Estado de 1976.

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Menéndez

Menéndez, que foi comandante do Terceiro Corpo do Exército de 1975 até 1979, causou polêmica entre a imprensa local, políticos, vítimas e associações de direitos humanos por dizer em seu depoimento que “recrimina o ex-ditador por não ter atuado até erradicar completamente toda a subversão”.

O ex-general já foi considerado culpado de aproximadamente 800 crimes, entre assassinatos, prisão arbitrária, sequestro e tortura. Após a sessão de ontem, Menéndez foi para o Tribunal de Tucumán, onde escutará sua quinta sentença na próxima sexta-feira. Como já foi condenado à prisão perpétua, assim sua condenação tem apenas valor moral, como acontece com Videla.

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Ex-repressores argentinos cochilam durante julgamento

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