Segunda-feira, 18 de maio de 2026
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Exilado na África do Sul desde 2004, o ex-presidente do Haiti Jean-Bertrand Aristide enviou uma carta ao governo sul africano manifestando desejo de voltar ao seu país.

“Mais uma vez, reitero que estou pronto para sair [para o Haiti] hoje, amanhã ou a qualquer momento”, escreveu Aristide.

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Segundo ele, seu objetivo no Haiti é trabalhar com a população em projetos educacionais.

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“O objetivo é muito claro”, afirmou. “Trata-se de contribuir para
servir” aos haitianos como “simples cidadão” na educação, acrescentou o ex-presidente na carta, que foi divulgada para a imprensa internacional. 

“Desde minha chegado ao continente mãe (África) há seis anos e meio, o povo do Haiti não parou de pedir minha volta”, escreveu.

Crise

Atualmente, o país passa por uma crise política, iniciada após as
denúncias de fraude no primeiro turno das eleições presidenciais,
realizado em novembro de 2010. Além disso, houve atraso na contagem dos
votos e o segundo turno, previsto para o último domingo (16/01),
precisou ser adiado.O mandato do atual presidente, René Preval, termina no dia 7 de fevereiro.

A manifestação de Aristide acontece três dias após o retorno do ex-ditador haitiano Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, que estava havia 25 anos de exilado na França.
A presença de Baby Doc no país suscitou uma série de críticas, principalmente de grupos de defesa dos direitos humanos, que pedem que ele seja punidos por abusos cometidos durante seu governo (1971-1986). Anteontem, a Justiça informou que ele já foi formalmente acusado. 

Ao contrário de Jean-Claude, Aristide ainda possui partidários, apesar de não viver mais no país, e seu retorno pode ter respaldo popular. Na avaliação do pesquisador Sebastião Nascimento, especialista em Haiti, ouvido pelo Opera Mundi, é difícil, porém, que ele tenha um grande movimento de apoio atualmente.

“O momento de grande mobilização popular em torno da figura de Aristide já passou e a promessa de mudança radical que levou muitos a engrossar suas fileiras foi frustrada repetidas vezes”, afirmou o pesquisador, ligado à Universidade de Flensburg, na Alemanha, e à Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

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Governo Aristide

Em 1990, quatro anos após a queda da ditadura do Baby Doc foram realizadas eleições livres. Ex-padre católico salesiano e com uma campanha eleitoral que defendia um programa de governo popular, Aristide foi eleito presidente com 70% dos votos.

No início de sua vida política, quando dirigia paróquias nos subúrbios da capital Porto Príncipe, tornou-se umas das figuras de destaque da luta contra a ditadura dos Duvalier.

Seu mandato, entretanto, durou pouco; em setembro de 1991, ele foi deposto sob acusações de corrupção, arbitrariedades e violências pelo general Raoul Cédras, dando o início a mais um regime ditatorial militar de direita.

Após três anos vivendo no exílio, Aristide voltou ao país com apoio dos Estados Unidos em 15 de outubro de 1994 para terminar seu mandato. No dia 7 de fevereiro de 1996, René Gacia Préval, eleito por voto direto, iniciou seu governo, permanecendo no poder até 7 de fevereiro de 2001.

Quem o sucedeu foi, novamente, Jean-Bertrand Aristide. Este, ao assumir, adotou uma política externa de aproximação de governantes de esquerda, como o presidente venezuelano Hugo Chávez e o cubano Fidel Castro.

Em 2004, Aristide deixou o cargo, deposto novamente por um golpe militar, liderado pelos mesmos que haviam tomado o poder em 1991. Segundo Aristide, sua oposição, com respaldo dos Estados Unidos, o seqüestrou e o exilou, obrigando-o a renunciar.

Judicialmente, não há nada que impeça a entrada de Aristide no país, já que a Constituição do Haiti proíbe a expatriação e exílio de seus cidadãos. Segundo o diretor do Instituto para a Justiça e Democracia no Haiti, Brian Concannon, citado pela Telesur, há apenas um obstáculo ao regresso de Aristide: as autoridades haitianas se negam a renovar seu passaporte.

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Ex-presidente Aristide diz que está disposto a retornar ao Haiti a qualquer momento

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