Ex-ditador da Argentina é condenado a 25 anos de prisão
Ex-ditador da Argentina é condenado a 25 anos de prisão
A Justiça argentina condenou nesta terça-feira (20/4) o ex-ditador Reynaldo Bignone a 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade que vitimaram 56 pessoas durante a última ditadura militar no país vizinho (1976-1983).
Bignone, último presidente militar da Argentina antes da redemocratização, foi sentenciado por um tribunal na cidade de San Martín – em processo iniciado em novembro – por uso ilegal de armas, privação ilegítima de liberdade agravada por ameaças, tortura e co-autoria em assassinatos.
Também foram condenados o general Carlos Alberto Tepedino, ex-comandante do batalhão de inteligência 601 (a 20 anos), o ex-diretor da escola de infantaria do Campo de Maio, Jorge Osvaldo García (18 anos) e o ex-diretor da Escola de Serviços para Apoio de Combate, Eugenio Guañabens Perelló (17 anos). Todas estas instituições estiveram ligadas à tortura na Argentina. Segundo a sentença, os acusados devem cumprir pena em cadeias comuns.
Antes de ouvir a sentença, Bigorne alegou que todas as suas ações se deveram a uma “guerra irregular” e que, diante disso, as forças armadas “tiveram de intervir para derrotar o terrorismo”, cumprindo assim as “ordens indiscutíveis” emitidas por um governo que ele chamou de “democrático”.
Ironias
Segundo o jornal argentino Página 12, o ex-ditador foi irônico ao responder sobre os 30 mil desaparecidos políticos e os roubos de bebês de mães sequestradas.
“Esse número ficou registrado como uma verdade incontestável, mas nunca conseguiram provar que mais de 8 mil pessoas tenham desaparecidos. Fala-se em 500 bebês, mas não chegaram a 30. Nenhum destes crimes foi cometido por militares”, disse.
Além disso, o ex-presidente disse que ser considerado um “repressor” não é uma desqualificação. “A autoridade tem o dever de punir os crimes de qualquer natureza. O ocorrido em nosso país não se encaixa na definição internacional do crime de genocídio. Só os porta-vozes do ódio podem sustentar isso”, justificou.
O secretário nacional de Direitos Humanos da Argentina, Eduardo Luis Duhalde, e a presidente da organização das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, se disseram aliviados e satisfeitos com a decisão.
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