Europa vive novo dia de protestos contra medidas de austeridade
Europa vive novo dia de protestos contra medidas de austeridade
A Europa vive um novo dia de protestos internacionais contra as medidas de austeridade decorrentes da crise financeira nesta quarta-feira (29/9) – o anterior havia sido no 1º de maio. Na Bélgica, sede do bloco, entre 56 mil (segundo a polícia) e mais de 100 mil (segundo organizadores) foram às ruas. Em Portugal, país que vive a pior crise da dívida desde que entrou para a zona do euro, estimativas extra-oficiais apontam para entre 20 mil e 70 mil manifestantes. Houve protestos em pelo menos outros seis países do continente.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) estima que 50 mil pessoas às ruas em Lisboa e 20 mil no Porto – as duas maiores cidades do país. A polícia não divulgou números oficiais, mas, na capital portuguesa, um policial estimou em 20 mil o número de participantes.
Victor Sorano/Opera Mundi
Cerca de 50 mil pessoas foram às ruas em Lisboa para protestar contra as novas medidas
O protesto em Lisboa começou por volta das 15h30 (11h30 do Brasil) na Praça Marquês de Pombal – importante entroncamento de avenidas na região central da cidade – e seguiu para a Assembleia da República (parlamento português). A caminhada, de cerca de 2 km, forçou o fechamento de ruas.
Houve participação de sindicatos do funcionalismo público e privado, como o representante dos trabalhadores da Volkswagen Auto Europa. Segundo Arménio Carlos, dirigente da CGTP, algumas empresas e escolas tiveram o funcionamento prejudicado. Houve gritos de “mentiroso” dirigidos ao primeiro-ministro, José Sócrates, e frases contra o “Plano de Estabilidade e Crescimento”, pelo qual o governo aumentou impostos e reduziu benefícios sociais.
“É a bandeira da fome. A aposentadoria não dá nem para comer”, disse ao Opera Mundi uma aposentada que não quis se identificar, em referência ao plástico preto que carregava.
Outros países
As manifestações na Europa foram organizadas pela confederação dos sindicatos europeus e ocorreram no mesmo dia de uma paralisação geral na Espanha, onde, segundo o jornal espanhol El País, 170 mil pessoas foram às ruas em Barcelona e Madri – os sindicatos falam em 700 mil em diversas cidades.
Victor Sorano/Opera Mundi
Representantes da Espanha participam de manifestação em Lisboa
Segundo a rede belga RTL, o protesto em Bruxelas reuniu cidadãos de países vizinhos, como França e Alemanha. Em Portugal, coincidiu com o dia de uma reunião extraordinária do governo para definir medidas adicionais para diminuir o déficit público.
Na Irlanda – que, assim como Portugal, enfrenta recordes históricos nos juros dos títulos da dívida -, 1,5 mil pessoas foram à frente da Câmara dos Deputados local, segundo o jornal Irish Times. Também houve protestos em Polônia, Romênia, Itália e Letônia, segundo a rede britânica BBC. Na Grécia, também houve paralisação de 24 horas, informou a agência de notícias norte-americana AP.
Justificativa
Representantes da central sindical se reuniriam ainda nesta quarta-feira com o presidente da União Europeia, o português José Manuel Durão Barroso. Já o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, divulgou um vídeo defendendo as medidas de austeridade.
Victor Sorano/Opera Mundi
Apesar das justificativas membros de sindicatos do funcionalismo público privado estiveram presentes
“Estamos no caminho certo, mas o trabalho continua e é um trabalho sem esmorecimento”, diz, justificando as medidas “excepcionais para salvar o euro” e o modelo social europeu.
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