EUA: Staten Island vive onda de violência contra imigrantes mexicanos
EUA: Staten Island vive onda de violência contra imigrantes mexicanos
Staten Island, um dos cinco distritos da cidade de Nova York, enfrenta uma onda de violência contra imigrantes mexicanos, praticada na maioria dos casos por estrangeiros de outros países latino-americanos e africanos. Ao menos onze casos de agressão foram registrados nos últimos três meses e a polícia reforçou a segurança local.
De acordo com o inspetor Michael Osgood, chefe do departamento da polícia contra crimes de ódio de Nova York, as vítimas são todas jovens e do sexo masculino. Edward Josey, presidente da NAACP, associação de apoio a imigrantes de Staten Island, explicou que as vítimas geralmente são ilegais e vistas como potenciais concorrentes na busca por emprego, principalmente em cargos ocupados por imigrantes. “Quando a economia vai mal, os empregos desaparecem e as pessoas ficam irracionais”, disse.
O consulado mexicano em Nova York “condenou fortemente” os ataques e
afirmou que está trabalhando em coordenação com o governo local.
“Atuaremos de maneira decidida para proteger nossos compatriotas e
castigar com todo peso da lei os culpados pelas recentes agressões”,
disse Rubén Beltrán, cônsul geral do México em Nova York ao Opera Mundi.
Efe (29/07/2010)

Policial caminha na avenida Port Richmond, em Staten Island, após casos de agressão contra latinos
Atualmente, há 20 mil mexicanos na região. Dos 443.728 habitantes do distrito, 16,4% são estrangeiros. “É um problema étnico, pois a comunidade mexicana é nova na região” disse o diretor do Centro do Imigrante, Gonzalo Mercado, em entrevista coletiva. Ele explicou que as agressões são cometidas, principalmente, por adolescentes negros, portorriquenhos e dominicanos residentes.
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“A comunidade antiga de Port Richmond é formada por brancos, afro-americanos, latinos de Porto Rico e dominicanos. Todos falam inglês”, disse. Já a nova comunidade está composta por mexicanos que não falam inglês. Uma coisa é ser latino-americano [em NY]. Outra é ser latino e ter nascido aqui”, analisou Mercado.
De acordo com dados recentes do FBI, 645 casos de “crimes de ódio” são denunciados por ano no estado de Nova York.
No entanto, para o presidente da associação norte-americana Hispânicos pela América Fernando Mateo os ataques podem estar relacionados a assaltos, e não a qualquer tipo de xenofobia. “Alguns desses casos não têm motivação étnica. São pessoas que querem roubar outras pessoas. Quando você está assaltando alguém, diz palavras de ofensa.” A Hispânicos pela América está oferecendo uma recompensa de cinco mil dólares por informações sobre os crimes.
“Costas molhadas”
A última vítima de agressão foi o imigrante mexicano Christian Vazquez, 18 anos. No último sábado (31/7) ele foi brutalmente espancado por três homens, no 11º ataque em três meses em Staten Island motivado por xenofobia. “Ainda sinto muito medo”, disse Vazquez, que vive ilegalmente nos Estados Unidos, ao site NY Daily News. Um dos agressores detidos é um jovem de 15 anos, imigrante da Libéria com cidadania norte-americana.
Vázquez contou que estava a duas quadras de casa quando foi abordado por um jovem portorriquenho que lhe fez uma pergunta em espanhol. Segundo ele, quando foi responder, os outros dois começaram a espancá-lo e a chamá-lo de “costas molhadas”, nome pejorativo usado para se referir a imigrantes ilegais que cruzam a fronteira pelo rio Grande, na fronteira com o México.
Com o aumento no número de ataques, o policiamento foi reforçado em Staten Island. Agora, são 300 homens nas ruas, 100 a mais do que o habitual. A associação internacional beneficente Guardian Angels também começou a patrulhar a região.
Soluções
Além de reforçar a segurança e melhorar o policiamento, as autoridades locais lançaram a campanha I AM Staten Island. O objetivo é informar a população sobre o que está acontecendo na região e orientar sobre como denunciar e que tipo de apoio pode ser dado pelo consulado mexicano de Nova York.
Como parte do trabalho, o site I AM Staten Island foi criado há três semanas, com um grupo na rede social Facebook para ajudar a divulgação e chamar atenção para o problema. “Esta campanha foi inspirada na onda de ataques por preconceito que tem acontecido em Staten Island neste ano”, informa o site. “Inicialmente, pensamos que era algo isolado, incidentes fortuitos, mas não parece ser o caso. Algo muito sério está acontecendo na ilha e esse desafio deve ter uma resposta da comunidade.”
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