Sábado, 4 de abril de 2026
APOIE
Menu

O anúncio dos Estados Unidos, de que aplicaria novas tarifas para os pneus de carros e caminhões leves vindos da China com o objetivo reduzir a entrada desses produtos no mercado norte-americano e tornar o preço mais competitivo, causou reação da China. Ontem (12) o país asiático declarou que acredita que a mudança é sinal de protecionismo e que despertará reações prejudiciais a recuperação da crise econômica mundial.

Durante o primeiro ano, a nova tarifa vai aumentar 35% o valor do produto, diminuir 30% no segundo ano, e 25% no terceiro. As taxas vão incidir sobre o atual imposto alfandegário de 4% e vão entrar em vigor dentro de 15 dias.

A medida foi adotada por Washington após pedidos do setor do país. O sindicato United Steelworkers apresentou formalmente uma reivindicação ao governo a China, alegando que a entrada de pneus destruiu milhares de empregos.

No intervalo de quatro anos, as importações americanas de pneus chineses triplicaram. Em 2004, eram 14,6 milhões e no ano passado a compra superou os 46 milhões.

“Estas medidas são uma resposta ao dano causado a trabalhadores e empresas americanas”, disse em comunicado Ron Kirk, representante de Comércio Exterior dos Estados Unidos.

Essa é a primeira vez que o país aplica sobretaxas especiais para Pequim antes de se juntar à OMC (Organização Mundial do Comércio) em 2001. Ontem à noite, o porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs disse que Obama tomou a decisão “embasada em fatos e nas leis para reduzir os prejuízos sofridos pela indústria americana de pneus”.

Resposta chinesa

O ministro de Comércio chinês, Chen Deming, indicou ter levado esta última disputa comercial com Washington de maneira especialmente séria.  Disse também que se reserva o direito de reagir à medida. “Este é uma ato grave de protecionismo comercial. No contexto de crise econômica mundial, trata-se de um exemplo muito ruim e a China se reserva o direito de reagir”, disse Chen em comunicado divulgado hoje no site do ministério.

“(A decisão) não viola somente as regras da OMC, contraria compromissos que o governo dos Estados Unidos fez na cúpula financeira do G20, e é um abuso no uso de salvaguardas especiais que envia um sinal errado para o mundo.”

A decisão não foi criticada apenas pelo governo, mas também pelos produtores chineses, que, nessa semana, foram prejudicados também por uma decisão semelhante vinda do governo brasileiro. “Ao adotar esta postura, a administração de Obama vai contra as suas promessas, nas quais afirmou que não elevaria as tarifas acima dos níveis atuais”, disse Vic Deiorio, vice-presidente executivo da companhia dos EUA GITI Tire, a maior produtora de pneus da China.

Washington já havia decidido durante a semana impor tarifas aos tubos importados da China para a indústria petroleira, e Pequim reagiu com indignação.

O assunto provavelmente será debatido no encontro do G20, realizado daqui a duas semanas em Pittsburg. Desde o início da crise, os encontros do G20 entre países ricos e em desenvolvimento têm rejeitado o protecionismo comercial.

Em novembro, o presidente norte-americano, Barack Obama tem uma visita programada à China, com quem seu país tem importante relação comercial.

EUA impõem novas tarifas para comercialização de pneus e China reage

NULL

NULL

NULL