Sábado, 25 de abril de 2026
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O governo dos Estados Unidos divulgou nesta terça-feira (6/4) sua nova política nuclear, que reafirma o direito a usar armas de destruição em massa “em casos extremos”, logo depois de ter criticado as compras de armamentos russos pela Venezuela, efetuadas por acordos entre o presidente Hugo Chávez e o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin. A preocupação das autoridades norte-americanas é de que as armas sejam disseminadas por países da América Latina.

Em cerimônia em Washington, o presidente dos EUA, Barack Obama, apresentou o documento de “revisão da postura nuclear” que, de acordo com o próprio, representa um “passo significativo” para tornar realidade um futuro sem armas nucleares. A nova estratégia estabelece, entre outros pontos, que os EUA deixarão de ameaçar ou atacar com armas nucleares os países que respeitarem compromissos dentro do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Além disso, o governo norte-americano se comprometeu usar de armas atômicas apenas em “circunstâncias extremas” para defender os interesses “vitais” do país ou de aliados.

Em comunicado após a publicação do relatório, exigido pelo Congresso de cada novo presidente que assume, Obama reconheceu que a maior ameaça “não é mais o intercâmbio nuclear entre os países, mas o terrorismo nuclear e a proliferação entre um número cada vez maior de países”.

Baseado nas promessas de uma nova postura em relação ao mundo, do fim do “pensamento da Guerra Fria” e da conquista do Prêmio Nobel da Paz, a estratégia deste ano foi planejada para “manter um mecanismo dissuasório nuclear seguro e efetivo enquanto existirem armas nucleares”, explicou o presidente.

No entanto, segundo o relatório, os EUA se reservam o direito de modificar o compromisso diante de um “potencial catastrófico das armas biológicas e dos rápidos avanços” nessas tecnologias. No caso dos países que não respeitarem o TNP, os EUA preveem “uma estreita gama de circunstâncias nas quais as armas nucleares podem exercer um papel”.

Pouco antes de reafirmar seu direito a usar armas nucleares quando julgar conveniente, Washington criticara a necessidade de reforço do arsenal venezuelano.

“Nossa principal preocupação não é se a Venezuela quer adquirir esse material. Nossa principal preocupação é que, se a Venezuela vai aumentar seu armamento militar, não queremos que esse material acabe em outras partes da região”, ressaltou, na segunda-feira (5/4), o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Philip Crowley.

Segundo ele, o assunto é uma questão bilateral entre os dois governos, na qual os EUA não devem se envolver, mas mesmo assim questionou a necessidade desse armamento.

“Nós estamos com dificuldades para entender que necessidades de legítima defesa a Venezuela tem para ter esses equipamentos”, questionou.

O presidente venezuelano, que desde a última sexta-feira (2/4) se deparou com críticas vindas da Casa Branca nesse ponto, disse que o posicionamento norte-americano não o preocupa.

“Nós não estamos construindo uma aliança contra os EUA. Nós não nos importamos com o que Washington pensa”, afirmou.

Rússia

Durante uma reunião em Moscou dedicada ao desenvolvimento da indústria militar, Putin elogiou as negociações e afirmou que a Venezuela planeja comprar novo arsenal de armamentos russos por um valor superior a 5 bilhões de dólares.

Durante a visita à Venezuela, foram negociados também 24 aviões de combate Sukhoi-30 e 53 helicópteros de transporte e ataque.

Desde 2004, quando os EUA criaram um bloqueio contra o governo de Hugo Chávez, impedindo a venda de armas ao país, a Rússia tem sido o grande fornecedor de armamentos para o país sul-americano.

Crítica colombiana

No mesmo evento, o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, também manifestou preocupação com a venda de armas para a Venezuela.

“Esse é um assunto que estamos discutindo diretamente. Nas outras ocasiões em que a Rússia cooperou com a Venezuela, também nos posicionamos desta maneira. Hoje tive a oportunidade de falar sobre a questão em particular com ministro russo, Serguei Lavrov”, disse Bermúdez em entrevista à rádio colombiana La W.

Sobre a preocupação dos EUA de que as armas cheguem a outros países da região, Bermúdez disse que a posição da Colômbia já foi expressada às autoridades russas.

“Já mostramos nossa preocupação com o assunto e eles estão atentos, tomando nota e considerando o que foi discutido nessas conversas”, completou.

Questionado sobre a visita à Rússia, o ministro negou que a compra de armas esteja entre os acordos a serem negociados.

Na próxima semana, acontece em Washington a cúpula sobre segurança nuclear com a participação de 47 países. Em maio, uma conferência da ONU deverá revisar o Tratado de Não-Proliferação.

EUA e Colômbia criticam venda de armas da Rússia à Venezuela

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