EUA e China restringem importações de alimentos japoneses por risco de radiação
EUA e China restringem importações de alimentos japoneses por risco de radiação
No mesmo dia em que o Japão proibiu o consumo da água de torneira de Tóquio, além da venda de mais alimentos contaminados pela radioatividade espalhada pela central de Fukushima Daiichi, os Estados Unidos anunciaram que as exportações de alimentos japoneses serão barradas.
Entre os produtos afetados, de acordo com o governo norte-americano, estão vegetais frescos, frutas e produtos lácteos provenientes das cidades de Fukushima, Ibaraki, Tochigi e Gunma, próximas à usina nuclear, cujos reatores entraram em colapso no dia 11 de março devido ao terremoto seguido por um tsunami que devastou parte da região nordeste do país.
Na terça-feira (22/03) a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês), órgão responsável por controlar a qualidade de alimentos e remédios nos EUA, emitiu um comunicado informando que irá verificar os níveis de radioatividade dos alimentos produzidos nestas regiões. Com essa decisão, nenhum produto poderá entrar no país sem antes ter a segurança testada.
“Os investigadores da FDA vão operar nos portos de entrada e possuem dispositivos de detecção radioativa para sua segurança pessoal”, afirmou o texto divulgado pela empresa. “Estes dispositivos de radiação são extremamente sensíveis e podem ajudar a identificar embarques de potencial preocupação para análises laboratoriais”, acrescentou.
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Questionada sobre a decisão da FDA em uma entrevista à rede de notícias japonesa NHK, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que “o mais importante é garantir que ajudemos o Japão a lidar com as consequências de tudo o que ocorreu no interior dos reatores, e que também nos certifiquemos de que o povo japonês tenha todo o alimento do qual precisa durante este período de transição.”
A medida, que segue as determinações do próprio governo japonês, também foi adotada por Hong Kong, que também proibiu a entrada de produtos lácteos, frutas e vegetais produzidos nas mesmas regiões japonesas proibidas pelos EUA.
A China foi o primeiro governo asiático a impor tal restrição. A Coreia do Sul, por sua vez, também anunciou que avalia uma proibição. Segundo a Administração de Alimentos e Medicamentos do país, se a restrição for instituída, as exportações das mesmas cidades serão barradas. No entanto, ela não deixou claro se todos os produtos seriam afetados, ou apenas gêneros alimentícios específicos.
Na Europa, nenhuma barreira contra os produtos japoneses foi imposta até o momento. Na semana passada, a UE solicitou que os países inspecionem as importações de itens alimentícios do Japão, mas não adotou restrições.
Na terça-feira (22/03), a França pediu que a Comissão Europeia imponha “controles sistemáticos” sobre as importações de produtos frescos japoneses e anunciou que o governo introduziu procedimentos de fiscalização para alimentos vindos daquele país em aeroportos, fronteiras e portos.
Um dia antes, foram detectados índices de elementos radioativos 24,8 vezes mais elevados que os fixados pelo governo na água do mar de Fukushima, a 250 km a nordeste de Tóquio (que tem 35 milhões de habitantes). Com isso, frutos do mar, algas e peixes também correm risco de contaminação.
Brasil
Mesmo com a elevação dos índices de radiação detectados pelo governo japonês, o Brasil ainda não aprovou restrições contra exportações japonesas. De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em 2010, o Brasil só importou alimentos embalados do Japão, como misturas e pastas para preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoito, o que diminui os riscos.
No primeiro bimestre de 2011, porém, o Brasil importou do Japão peixes, especiarias, chá, sucos, extratos vegetais, óleo, bombons, caramelos e confeitos sem cacau, caldos e sopas, bebidas alcoólicas, entre outros produtos não alimentícios, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
A Anvisa explica que, em um acidente nuclear, átomos se desintegram e há liberação de um tipo de energia chamada radiação ionizante, que pode se espalhar em forma de ondas ou por meio de partículas e contaminar o solo, a água e os alimentos.
Os átomos que emitem radiação são chamados de radionuclídeos, sendo o iodo radioativo e o césio os que representam maior risco à saúde, podendo aumentar o risco de câncer de tireoide e leucemia.
O Brasil aguarda novas análises das autoridades sanitárias japonesas, que se comprometeram a retirar do mercado todos alimentos com níveis de radionuclídeos superiores aos limites estabelecidos pela Comissão de Segurança Nuclear no Japão para serem considerados seguros ao consumo humano.
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