Terça-feira, 12 de maio de 2026
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A três semanas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden prometeu que, se os democratas mantiverem o controle do Congresso, o primeiro projeto de lei que aprovará será uma proposta que assegure o direito ao aborto em todo o país.

A Casa Branca multiplica os discursos, como o desta terça-feira (18/10) em Washington, na tentativa de contrariar os prognósticos para as eleições de 8 de novembro. O partido no poder costuma sofrer um revés nessa eleição, realizada a cada dois anos para renovar as cadeiras da Câmara dos Representantes, parte do Senado e eleger dezenas de governadores.

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Atualmente, os democratas têm uma pequena maioria na Câmara. O partido de Biden também controla o Senado, que abriga 50 senadores de cada legenda, por meio da capacidade da vice-presidente Kamala Harris de desempatar votações.

Mas aprovar um projeto de lei sobre o aborto pode ser difícil mesmo se os democratas mantiverem sua maioria no Senado, já que as regras da Casa exigem, para a maioria das leis, a aprovação de 60 dos 100 senadores.

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Tsunami de descontentamento

Os democratas enfrentam neste ano um potencial tsunami de descontentamento com a impopularidade do presidente, a situação econômica pós-pandemia e debates sobre educação, questões de gênero e aborto.

É no aborto que Biden vê um potencial divisor de águas, depois que a Suprema Corte anulou a sentença histórica Roe vs. Wade que há meio século consagrou o acesso ao aborto no país.

“As mulheres em todo o país, começando pela minha casa, perderam um direito fundamental”, disse Biden. O presidente norte-americano mencionou o “caos e angústia” vivenciado pelas mulheres que decidem interromper a gravidez desde a decisão da Suprema Corte. E acrescentou que os republicanos proibiram o aborto em 16 estados, onde vivem 26,5 milhões de mulheres.

O presidente insiste na importância do resultado eleitoral. Ele alertou que, mesmo que os republicanos ganhem, ele vetará qualquer tentativa de proibir o aborto em todo o país. “Vou vetar”, alertou. E se os democratas mantiverem a maioria na Câmara, uma lei nacional de direito ao aborto será elaborada, derrubando a decisão da Suprema Corte.

A três semanas das votações nos EUA, presidente norte-americano promete aprovar direito nacional à interrupção da gravidez se democratas mantiverem controle do Congresso

Evan Vucci/AP/picture alliance

Biden aposta na força do voto feminino para ganhar eleição

A Casa Branca se recusou a dizer como Biden concebe os detalhes da lei e se ele apoiaria quaisquer restrições ao aborto. “Deve ser algo decidido entre uma mulher e seu médico, sua família, não políticos”, disse a secretária de imprensa de Biden, Karine Jean-Pierre.

Tema controverso

Não há dúvida de que o direito ao aborto suscita debates acalorados no cenário político. Roe vs. Wade legalizou o procedimento em todo o país, enquanto a decisão da Suprema Corte devolveu o poder aos governos estaduais, deixando-os ditar as regras em seu território.

Os líderes republicanos aproveitaram a oportunidade para impor restrições ou proibições draconianas à prática.

A questão mobiliza, mas é incerto se será suficiente para mudar a votação em três semanas. Autoridades democratas, incluindo Biden, sugeriram a possibilidade de um movimento eleitoral liderado por mulheres.

“Não acho que a Corte ou, nesse caso, os republicanos, que há décadas defendem sua agenda extremista, tenham alguma ideia do poder das mulheres americanas”, disse Biden após a decisão da Suprema Corte. “Na minha opinião, eles estão prestes a descobrir. Estou esperançoso e acredito fortemente que as mulheres, de fato, vão aparecer em números recordes para reivindicar seus direitos.”

As pesquisas mostram consistentemente que a maioria dos  norte-americanos acredita que o aborto deveria ser permitido. Embora a maioria também ache que deveria haver algumas restrições, apenas 13% apoiam uma proibição total, de acordo com uma sondagem do instituto Gallup.

A má notícia para os democratas, no entanto, é que as pesquisas mostram que o aborto está bem abaixo da lista de preocupações dos eleitores. Uma pesquisa do jornal The New York Times/Siena desta semana mostra que 26% dos prováveis eleitores acreditam que a economia é a coisa mais importante, e 18% acreditam na inflação, que está quebrando recordes em quatro décadas. O aborto teve 5%.

Além disso, a pesquisa mostra uma mudança surpreendente na intenção de voto das mulheres independentes. Em setembro, este grupo apoiou os democratas em relação aos republicanos por 14 pontos, mas na última pesquisa elas apoiaram os republicanos por 18 pontos.