Sábado, 4 de abril de 2026
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Os Estados Unidos cortaram nesta quinta-feira (3) ajuda ao governo de Honduras no valor de cerca de 22 milhões de dólares, negaram apoio às eleições no país, marcadas para novembro, e suspenderam os vistos dos integrantes da gestão golpista liderada por Roberto Micheletti.  

“O Departamento de Estado anuncia o término de várias formas de assistência ao governo de Honduras como resultado do golpe de Estado que aconteceu em 28 de junho”, afirma o texto assinado pelo porta-voz Ian Kelly, referindo-se à ação que removeu do poder o presidente Manuel Zelaya, impedido de voltar ao país.

“A restauração da assistência encerrada terá como predicado um retorno à governança democrática, constitucional em Honduras”, afirma o comunicado.

Os Estados Unidos, maiores parceiros comerciais de Honduras e destino de 70% das exportações do país caribenho, tinham prometido a definição para esta quinta-feira. Na semana passada assessores da secretária Hillary Clinton sugeriram que a administração hondurenha fosse classificada de “golpista”, e não de “interina”.

Gustavo Amador/EFE



Seguidores de Zelaya arrancam propaganda da sede do partido oposicionista em Tegucigalpa

“Neste momento, não poderíamos apoiar o resultado das eleições convocadas”, diz Kelly no texto em que os EUA cobram “eleições legítimas” em Honduras e anunciam a suspensão dos vistos dos membros do governo golpista.

Se confirmar a classificação do governo hondurenho como golpista, Washington terá que cortar toda a ajuda – de 18 milhões de dólares – que concede ao país, de acordo com a legislação norte-americana.

Até o momento, os Estados Unidos cancelaram o auxílio militar de 16,5 milhões de dólares e suspenderam os vistos aos hondurenhos. Governos da América Latina e instituições internacionais como OEA (Organização dos Estados Americanos), BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o Banco Mundial optaram por suspender a ajuda econômica a Honduras, o segundo país mais pobre do continente.

Golpistas vêem EUA ao lado de Chávez

Após a nota emitida pelo Departamento de Estado norte-americano, o novo
governo hondurenho afirmou que os Estados Unidos “descambaram” para o lado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
ao ampliarem as sanções em represália ao golpe.

O ministro da Presidência de Micheletti, Rafael Pineda, disse a
jornalistas que as medidas recém-tomadas por Washington “são pouco
amistosas”.

“Não podemos aceitá-las com alegria”, declarou. “Lamentamos que um governo, um país e um povo que são nossos amigos tenham
tomado a decisão de ir para o lado de Chávez e de condenar o povo que
luta contra a expansão marxista na América Central e na América”,
afirmou Pineda.

Brasil não reconhece novo governo e suspende isenção de passaporte

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, anunciou hoje que o governo brasileiro vai suspender temporariamente o acordo de isenção de vistos com Honduras a partir do próximo dia 05. O objetivo é mostrar repúdio a deposição de Zelaya, feita no dia 28 de junho.  A suspensão será feita em passaportes diplomáticos, oficiais, de serviço e passaportes comuns.

Com a suspensão dos acordos, que haviam sido assinados pelos dois governos em 2004, os portadores de passaportes hondurenhos precisarão de visto para entrar no Brasil. Segundo o Itamaraty, a medida não vai afetar a situação dos portadores daqueles que já estiverem em situação regular no país.

A suspensão dos acordos foi informada à chanceler do governo deposto de Honduras, Patricia Rodas, na terça-feira. Ela agradeceu pela medida “por ter considerado mais uma demonstração de apoio do governo brasileiro à busca da restauração da ordem democrática em Honduras”.

No comunicado em que anuncia a decisão, o Itamaraty afirma que a medida é baseada “nas resoluções da OEA e da Organização das Nações Unidas no sentido de não reconhecer o governo 'de facto' instalado naquele país”.

(Atualizada às 18h23)

EUA cortam ajuda a Honduras, negam apoio a eleições e suspendem vistos de golpistas

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