Domingo, 14 de junho de 2026
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O governo de Donald Trump nos Estados Unidos cancelou programas que apoiavam ativistas de oposição, presos políticos e grupos religiosos em Cuba, Nicarágua e Venezuela. Uma análise do Departamento de Estado concluiu que tais projetos não estavam alinhados com as prioridades das agências e não eram do “interesse nacional”.

Com isso, só a imprensa de oposição em Cuba, que se autodenomina “imprensa independente”, perdeu uma quantia de US$ 1,5 milhão. Uma postagem da Casa Branca no X citou esse como um exemplo dos “programas ridículos” que foram cortados.

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Apenas três dos 95 programas administrados pelo Instituto Republicano Internacional (IRI) não foram cancelados, mas estão pausados por 90 dias até a conclusão de uma avaliação sobrea continuidade do projeto. O financiamento vinha a partir da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Os três que foram mantidos estão focados no apoio à oposição venezuelana.

Outros programas do IRI estão em situação incerta já que dependem de fundos do Congresso para a Fundação Nacional para a Democracia (NED), que também teve suas verbas congeladas. A situação é a mesma no Instituto Nacional Democrata (NDI, da sigla em inglês), que também depende de verbas da USAID.

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A maioria dos funcionários de todos os organismos norte-americanos que trabalhavam com esses tipos de programas foi colocada sob licença administrativa.

Republicanos não vêm resultados no apoio à oposição

Em uma audiência no Senado, republicanos argumentaram que não havia sentido manter programas que buscavam interferir nos países e não obtinham resultados satisfatórios, ou seja, a mudança de governo.

Há décadas, os programas de “promoção da democracia”, que eram de financiamento à oposição em países com governos contrários aos interesses norte-americanos, são elementos importantes da política externa dos Estados Unidos. Da mesma forma, o financiamento à mídia.

Nos últimos 20 anos, a USAID investiu bilhões de dólares em organizações não governamentais e veículos de comunicação para moldar narrativas acordes com os seus interesses em regiões estratégicas. Tudo sob a fachada de luta contra a censura e apoio à liberdade de imprensa e à mídia “independente”. É o que mostra uma reportagem da TelesurTV.

De acordo com um relatório da USAID, desde 2010, US$ 3,2 bilhões foram destinados pela agência a programas de “fortalecimento mediático” em 70 países, com ênfase no leste europeu, América Latina e África. Em todos os casos, o financiamento à organizações como Internews, International Center for Journalists ou Freedom House ocorrem para defender os países de “regimes autoritários”.

Wikimedia Commons
O senador republicano Rick Scott defende o fim do financiamento à oposição em Cuba, Venezuela e Nicaragua por ineficiente

20 anos financiando veículos para controlar a narrativa

Mas só recebem apoio os veículos alinhados com as prioridades da política externa norte-americana. Dessa forma, o jornal nicaraguense Confidencial, por exemplo, que deu ampla cobertura aos protestos de 2018, apresentando-o como luta pela “mudança de regime”, recebeu amplo financiamento.

Na Venezuela, ao menos uma dúzia de veículos de comunicação recebem apoio da USAID para criticar o governo. Muitos, como NTN24 Venezuela, Caraota Digital e ViviPlay, estão sediados na Colômbia, Espanha ou Estados Unidos.

Sua cobertura foca na “crise humanitária” e “repressão política”, mas quase não mencionam as consequências das sanções impostas pelos Estados Unidos. Assim também funciona nos veículos de Cuba, onde até o apagão recente chegou a ser apresentado como consequência de má gestão e não do bloqueio.

O relatório da USAID vazado pelo WikeLeaks mostrou que a entidade treinava jornalistas em “padrões éticos e técnicas inovadoras”. Ao menos 30 veículos de mídia digital e organizações jornalísticas em países como Colômbia, Venezuela, Nicarágua, Cuba e México receberam fundos da agência entre 2020 e 2024. Não foi por acaso que a Caracas acusou a USAID de apoiar a tentativa de golpe da extrema direita. 

Na Ucrânia, a USAID investiu US$ 15 milhões no Media Deep Dive (2021-2023) focado em “desmentir propaganda russa”. O projeto excluiu todos os meios que denunciaram o histórico de corrupção do governo ucraniano ou os interesses da indústria armamentista dos EUA na guerra.

USAID financiava ONGs em mais de 30 países

O subsídio dos EUA à mídia ucraniana é anterior à guerra, mas se intensificou a partir dela ela. Segundo a reportagem da TeleSUR, 90% das notícias procedentes da Ucrânia estão sob influência desse financiamento.

O relatório da USAID menciona “repressão” aos profissionais na Venezuela, China e Rússia, mas omite os abusos e a falta de liberdade de imprensa em países aliados, como Israel e Arábia Saudita. Da mesma forma, veículos financiados pela agência jamais investigam assuntos que não interessam aos Estados Unidos, como a base militar de Guantánamo (Cuba), a de Okinawa (Japão) ou o impacto da extração de lítio na Argentina por empresas norte-americanas.

A USAID, segundo seu próprio relatório, financiava mais de 6.200 jornalistas em 707 veículos e 279 ONGs mediáticas em mais de 30 países. Para 2025, o Congresso havia destinado US$ 268,3 milhões a “veículos independentes”. Inclusive empresas como Associated Press, BBC e New York Times figuravam entre os beneficiários.