Quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realizou nesta quinta-feira (13/06) uma das intervenções mais esperadas da 112ª Conferência Internacional do Trabalho, que ocorre na cidade suíça de Genebra.

Em um dos trechos mais importantes do seu discurso, o mandatário enfatizou a importância de que os movimentos sociais e partidos de esquerda retomem a liderança das posturas de contestação do sistema, que, segundo ele, teriam sido dominadas pela extrema direita nos últimos tempos, o que explicaria os resultados eleitorais positivos que esse setor tem conquistado em algumas regiões do planeta.

“A contestação da ordem vigente não pode ser privilégio da extrema direita. A bandeira anti hegemônica precisa ser recuperada pelos setores populares progressistas e democráticos”, afirmou Lula, durante o evento realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em outro trecho do seu discurso, o presidente brasileiro defendeu o projeto de taxação dos super ricos, afirmando que “a concentração de renda (atualmente) é tão absurda que alguns indivíduos possuem os seus próprios programas espaciais. Certamente, tentando encontrar um planeta melhor do que a Terra, para não ter que dividi-la com os trabalhadores que são responsáveis pelas suas riquezas”.

“Não precisamos buscar saída em Marte. É a Terra que precisa do nosso cuidado. Ela é a nossa casa”, completou.

Organização Internacional do Trabalho
Lula enfatizou necessidade de as esquerdas recuperarem discurso contra hegemônico, em discurso na OIT

Lula também afirmou que “o trabalho não deve ser tratado como mercadoria, mas sim como fonte de dignidade, o bem-estar de cada um depende do bem-estar de todos” e citou o papa Francisco, ao dizer que “não há democracia onde há fome, nem desenvolvimento onde há pobreza, nem justiça onde há desigualdade”.

A defesa da igualdade salarial de gênero foi outro ponto importante da declaração de Lula. Segundo o mandatário, “em todo o mundo, as mulheres são um dos elos mais vulneráveis na cadeia do mundo do trabalho. A máxima ‘salário igual para trabalho igual’ ainda é uma utopia”.

A conclusão do discurso de Lula foi dedicada às críticas sobre a falta de ações concretas dos organismos internacionais para encontrar uma solução pacífica para a guerra entre Rússia e Ucrânia e o massacre promovidos por Israel contra os civis palestinos na Faixa de Gaza.

Entre os argumentos apresentados para mudar esse panorama, o líder brasileiro destacou a necessidade de uma maior presença dos países do Sul Global nos organismos internacionais.

“Não faz sentido apelar aos países em desenvolvimento para a resolução das crises que o mundo enfrenta hoje sem que eles estejam adequadamente representados nos órgãos de governança global”, enfatizou Lula.