Esperança e carências marcam aniversário do plebiscito de independência no Timor-Leste
Esperança e carências marcam aniversário do plebiscito de independência no Timor-Leste
A votação, onde quatro em cada cinco timorenses apoiaram a separação de Jacarta, representou o fim de 24 anos de sangrenta ocupação militar indonésia e o primeiro passo para a liberdade política do país, que foi formalizada em 2002.
O presidente da nação e Nobel da Paz, José Ramos Horta, fez um emotivo discurso para comemorar a data, no qual defendeu “olhar para frente” e “deixar para trás o passado”.
“Este aniversário representa a esperança de abandonar a violência, a autodestruição e a divisão. Esta é a mensagem do governo hoje. Os timorenses abraçaram com seus corações um futuro em paz”, disse Ramos Horta.
Além do presidente, vários artistas locais e indonésios participaram dos atos comemorativos realizados hoje em Dili, a capital timorense, após o desfile das tropas.
Antonio Dasiparu/EFE

Violência e pobreza
No entanto, o ambiente festivo da comemoração não conseguiu esconder os obstáculos de caráter político, econômico e social no Timor-Leste, apesar das melhoras registradas nos últimos anos.
A Anistia Internacional criticou esta semana a conduta do Timor-Leste, Indonésia e Nações Unidas por permitir que os promotores da violência que abalou o país em 1999 continuem impunes.
Naquele ano, a consulta popular gerou uma brutal onda de violência por parte do Exército indonésio e de paramilitares contratados por Jacarta, que assassinaram mais de 1,4 mil pessoas e destruíram 80% da infraestrutura do país.
Tropas internacionais lideradas pela Austrália permanecem mobilizadas no país desde então, para proteger a estabilidade do país, mas Ramos Horta pediu esta semana que concluam sua missão em 2012, coincidindo com as próximas eleições.
O mais recente foco de violência aconteceu em fevereiro de 2008, quando um grupo de militares rebeldes tentou, sem sucesso, assassinar o presidente Ramos Horta e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão.
Os especialistas afirmam que a violência prejudicou em várias ocasiões o desenvolvimento do país e não descartam novos incidentes desestabilizadores.
Um recente relatório do Banco Mundial reconhece que uma década de intervenção militar e política multilateral fez com que “a violência” seja “o método habitual de lidar com as disputas e a frustração”.
Apesar de a economia timorense ter crescido 12,5% no ano passado, a metade da população vive com menos de 1 dólar por dia, o desemprego atinge amplamente a população e a dependência econômica das importações é notória.
O orçamento deste ano é o dobro que o do exercício anterior, graças à receita conseguida com o petróleo, mas a crescente corrupção deteriora a grandes passos a imagem do governo de Gusmão.
As carências em infraestrutura de transporte e saneamento, entre outras, continuam evidentes e cerca de 40% das crianças entre 6 e 11 anos não são escolarizadas.
A maior parte do 1 milhão de timorenses vive no campo e quase não percebe uma melhora no nível de vida na última década, apesar dos 5,2 bilhões de dólares de ajuda externa investidos no país, segundo a La'o Hamutuk, um centro de estudos sobre o país asiático.
Ex-colônia de Portugal
O Timor-Leste foi colônia portuguesa durante quatro séculos, até que a revolução de abril de 1974 trouxe a democracia a Lisboa e a liberdade a suas colônias.
Um ano depois, no contexto da Guerra Fria e com o pretexto de que o Timor se aproximava da órbita comunista, o general indonésio Suharto ordenou a invasão do país com o apoio implícito dos Estados Unidos e da Austrália.
Em 30 de agosto de 1999, mais de 78% dos timorenses escolheram pela independência no plebiscito lembrado hoje, e que aconteceu sob a promoção das Nações Unidas.
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