Domingo, 10 de maio de 2026
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“O Brasil não toma posição em nenhum conflito há décadas e sempre apoia-se em negociações de paz. A postura do presidente Lula é coerente com essa história da diplomacia brasileira“, afirma o historiador Leonardo Trevisan, entrevistado pelo portal Sputnik Brasil, sobre as decisões do líder brasileiro diante da guerra na Ucrânia. 

Na última terça-feira (31/01), após se encontrar com o chanceler alemão, Olaf Scholz, e negar o envio de munições a Kiev, Lula afirmou que a posição do Brasil é a de “tentar contribuir para a paz”, sugerindo a criação de um fórum internacional para negociações pacíficas pelo fim do conflito. 

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“O Brasil não tem interesse em passar munições para que elas sejam utilizadas no confronto entre Ucrânia e Rússia. Somos um país de paz que não quer ter nenhuma participação nesse conflito, mesmo que indireta”, disse Lula na ocasião.

Para Trevisan, que também é professor de Economia e Relações Internacionais da ESPM em São Paulo, esse “esforço de paz” é necessário para a resolução do conflito na Ucrânia, evitando que se escale para um “confronto inimaginado”. O analista avalia que a postura do presidente brasileiro, de evitar se envolver diretamente com o conflito, é coerente com a tradição diplomática do país. 

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Segundo o professor, dificilmente o Brasil vai querer “liderar” esse grupo, ou ser sozinho o protagonista de uma negociação de paz, destacando que a Turquia de Recep Erdogan já tentou exercer tal papel, mas não conseguiu “a carga suficiente” para conduzir esse processo.  

Por isso, na visão do especialista, é tão importante a construção de uma iniciativa que envolva mais países, em espacial a China.

“O Brasil está propondo não que um país específico seja o negociador, mas um fórum de paz. [A ideia é] criar uma espécie de uma entidade, de um grupo, cuja função seja exatamente essa, de um fórum de paz para mediar uma situação de extrema atenção como essa da Ucrânia”, disse à Sputnik Brasil.

Ao mencionar os possíveis cenários da guerra entre Moscou e Kiev, o Trevisan aponta para um “embate de trincheiras ao qual o mundo tem terríveis memórias desde a Primeira Guerra Mundial”. 

“Frente a esse cenário de uma consolidação de posições e de perdas humanas e materiais, não há dúvida alguma de que há uma necessidade de fazer esforços pela paz”, completa Trevisan. 

Na análise de Trevisan, o conflito “sintetiza uma grande mudança no mapa geopolítico do mundo” em razão do embate de hegemonia entre Estados Unidos e China. 

(*) Com Sputniknews