Terça-feira, 7 de abril de 2026
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No dia em que a academia sueca concedeu o prêmio Nobel para Barack Obama, o vice-presidente Joe Biden berrou com seus principais assessores: “Melhor vocês me convencerem de que estou errado, ou então a gente vai adiante com o plano”.
O “plano” era a retirada das tropas do Iraque e enviá-las para o Afeganistão, onde os talibãs – a partir do Paquistão – todos os dias colocam em xeque os norte-americanos e o exército do presidente afegão Hamid Karzai.
Mas a situação no Iraque não está correndo bem e agora a Casa Branca tem um dilema: enviar ou não um contingente de 40.000 soldados para Cabul, num momento em que todas as pesquisas refletem claramente o rechaço dos norte-americanos à mobilização de tropas.
Uma alternativa seria o traslado das tropas do Iraque para o Afeganistão, uma opção defendida tanto pelo comandante em Cabul, Stanley McCrystal, quanto por Biden. A alternativa foi desenhada quando o Iraque parecia estar se pacificando.
Mas agora o traslado das tropas está num limbo. Não só os insurgentes no Iraque aumentaram suas ações fora da capital, como na própria Cabul, as explosões, cada vez mais sangrentas, parecem voltar a ser o pão nosso de cada dia. Neste domingo, um carro-bomba matou 160 pessoas na zona dos ministérios. Foi o maior ataque desde 2007.
Durante a campanha eleitoral, o presidente mencionou em várias oportunidades que prestaria atenção à guerra do Afeganistão e vários observadores chegaram a classificá-la de “o Vietnã de Obama”, porque a ferocidade dos combates no Iraque parecia ir diminuindo e tudo indicava que a situação no Afeganistão ia se agravar e até se estagnar.
Vencidas as eleições presidenciais, Obama optou por enfrentar a guerra no Oriente Médio de um só ângulo. Ele se referia publicamente ao tema, estabeleceria as linhas mestras da estratégia, mas Biden estaria encarregado de executá-las. O vice presidente teria mais margem de manobra para discutir com os generais e o presidente poderia se dedicar a seus planos internos, como a reforma de saúde e plano de recuperação bancária. Ou seja, a velha tática do “policial bom e policial mau”.
E Biden começou a viajar pela região. Mais ou menos discretamente. E começou a ver com os seus próprios olhos a diferença entre a realidade no terreno e a que os generais projetavam, em suas informações à Casa Branca.
Foi isso que o levou a dar um murro na mesa há duas semanas, no mesmo dia em que Obama ganhou o Nobel da Paz. Tinha chegado o momento em que tanto ele quanto McCrystal estavam a ponto do desespero com a dúvida de Obama sobre mandar ou não tropas frescas para a frente de batalha.
Depois de tudo, além da impopularidade da decisão, em março o presidente enviou 21 mil homens para o Afeganistão, que se juntaram aos 20 mil que já estavam lá. E outros 40 mil homens a mais só vão piorar sua popularidade em casa.
Mas não foram suficientes. E Biden “explodiu” porque sabe que isso pode custar a Casa Branca a Obama. “Temos um plano ou não?”. Sua voz, diz o blog Huffington Post, reverberou na estreita sala chamada de “Situation Room”, dirigida aos principais assessores do Obama.
Mas ninguém tem dúvida que, na realidade, ele estava se dirigindo ao presidente.

Escolha de estratégia para Afeganistão divide Casa Branca

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