Equatorianos recebem versões diferentes sobre distúrbios desta semana
Equatorianos recebem versões diferentes sobre distúrbios desta semana
Depois do sequestro do presidente do Equador, Rafael Correa, por parte de um grupo da polícia na quinta-feira (30/9), o país ainda tenta entender o que aconteceu.
Em Quito, os fatos violentos já ficaram como uma memória distante na população. Quase todas as jogas abriram já na sexta-feira (1/10), o tráfico flui regularmente, e as pessoas voltaram ao trabalho e às aulas. Mas o único assunto comentado é a rebelião policial que poderia ter sido um golpe de Estado contra Correa.
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Na capital do Equador, cada pessoa tem uma opinião e tenta convencer os demais. Governistas e o próprio presidente afirmaram repetidamente que existiu uma manipulação política por trás do sequestro.
“Este golpe de Estado fracassado foi orquestrado por um ex-presidente, Lucio Gutiérrez”, acusou o ministro da Justiça, José Serrano Salgado, ainda na sexta-feira.
Apesar de o presidente Correa ter declarado que não haverá perdão nem esquecimento para os policiais que protagonizaram a revolta, a reportagem de Opera Mundi teve acesso a um documento assinado por 17 representantes da oposição que pede anistia para os agentes sublevados no dia 30.
Na sexta-feira (1/9), o comandante Polícia Nacional, coronel Freddy Martínez, renunciou ao cargo, por não ter conseguido conter a rebelião.
“Um comandante desrespeitado, maltratado, agredido por seus subalternos não pode ficar à frente deles”, disse Martínez a jornalistas.
Ele alegou que, “só por responsabilidade”, esperou o momento em que o presidente já estivesse resgatado e trazido de volta para o palácio a salvo, para apresentar o pedido de demissão. Mas pediou também que o presidente reveja a lei do funcionalismo público que desencadeou os protestos.
A reforma tenta equalizar o pagamento de salários e aposentadorias dos funcionários públicos, incluindo civis e militares. A lei elimina benefícios e outros privilégios dos agentes, enquanto outros servidores não os recebem. Mas os benefícios serão incorporados ao soldo básico, aumentado em quase 30%.
O chanceler Ricardo Patiño concedeu uma coletiva para relatar suas tentativas de chegar até o hospital onde o presidente Correa estava retido, na tentativa de libertá-lo, acompanhado por milhares de pessoas.
Patiño falou da “brutal” repressão policial contra os civis, enquanto os rebelados gritavam palavras de ordem a favor do ex-presidente Lucio Gutiérrez, hoje líder da oposição.
“Fica claro quem estava por trás deste golpe” afirmou.
O ministro das Relações Exteriores também fez referência ao golpe do ano passado em Honduras, liderado por Roberto Micheletti.
“Não vamos permitir que aconteça outra Honduras na América Latina”, garantiu.
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