Domingo, 10 de maio de 2026
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Depois do sequestro do presidente do Equador, Rafael Correa, por parte de um grupo da polícia na quinta-feira (30/9), o país ainda tenta entender o que aconteceu.

Em Quito, os fatos violentos já ficaram como uma memória distante na população. Quase todas as jogas abriram já na sexta-feira (1/10), o tráfico flui regularmente, e as pessoas voltaram ao trabalho e às aulas. Mas o único assunto comentado é a rebelião policial que poderia ter sido um golpe de Estado contra Correa.

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Na capital do Equador, cada pessoa tem uma opinião e tenta convencer os demais. Governistas e o próprio presidente afirmaram repetidamente que existiu uma manipulação política por trás do sequestro.

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“Este golpe de Estado fracassado foi orquestrado por um ex-presidente, Lucio Gutiérrez”, acusou o ministro da Justiça, José Serrano Salgado, ainda na sexta-feira.

Apesar de o presidente Correa ter declarado que não haverá perdão nem esquecimento para os policiais que protagonizaram a revolta, a reportagem de Opera Mundi teve acesso a um documento assinado por 17 representantes da oposição que pede anistia para os agentes sublevados no dia 30.

Na sexta-feira (1/9), o comandante Polícia Nacional, coronel Freddy Martínez, renunciou ao cargo, por não ter conseguido conter a rebelião.

“Um comandante desrespeitado, maltratado, agredido por seus subalternos não pode ficar à frente deles”, disse Martínez a jornalistas.

Ele alegou que, “só por responsabilidade”, esperou o momento em que o presidente já estivesse resgatado e trazido de volta para o palácio a salvo, para apresentar o pedido de demissão. Mas pediou também que o presidente reveja a lei do funcionalismo público que desencadeou os protestos.

A reforma tenta equalizar o pagamento de salários e aposentadorias dos funcionários públicos, incluindo civis e militares. A lei elimina benefícios e outros privilégios dos agentes, enquanto outros servidores não os recebem. Mas os benefícios serão incorporados ao soldo básico, aumentado em quase 30%.

O chanceler Ricardo Patiño concedeu uma coletiva para relatar suas tentativas de chegar até o hospital onde o presidente Correa estava retido, na tentativa de libertá-lo, acompanhado por milhares de pessoas.

Patiño falou da “brutal” repressão policial contra os civis, enquanto os rebelados gritavam palavras de ordem a favor do ex-presidente Lucio Gutiérrez, hoje líder da oposição.

“Fica claro quem estava por trás deste golpe” afirmou.

O ministro das Relações Exteriores também fez referência ao golpe do ano passado em Honduras, liderado por Roberto Micheletti.

“Não vamos permitir que aconteça outra Honduras na América Latina”, garantiu.

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