Terça-feira, 7 de abril de 2026
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Os chanceleres do Equador, Fander Falconí e da Colômbia, Jaime Bermúdez, anunciaram que nomearão os encarregados de negócio – o segundo nível de representação diplomática – até 15 de novembro. O fato, informado após uma reunião na localidade de Cotacachi, no norte andino do Equador, conta como mais um passo em direção ao restabelecimento das relações bilaterais, suspensas desde março de 2008.

Essa comissão é uma das três que eles constituíram há um mês, após uma reaproximação no fim de setembro, quando delegações dos dois países se reuniram durante a Assembleia Geral das Nações Unidas.

O Equador rompeu relações diplomáticas com a Colômbia em 3 de março de 2008, dois dias depois do ataque militar colombiano contra um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) instalado na selva equatoriana em um lugar conhecido como Angostura.

Além disso, na reunião ficou decidida a reativação da Comissão Binacional de Frontera (Combifron), um mecanismo de coordenação bilateral para atender os problemas de Segurança e Defesa na fronteira comum e antes integrada por altos comandantes militares dos dois países. Agora, será presidida pelos ministros da Defesa, o equatoriano Javier Ponce e o colombiano Gabriel Silva.

Demandas

Entre os aspectos sensíveis que o Equador expõe à Colômbia se encontra a solicitação para que Bogotá entregue informação precisa e pormenorizada do ataque a Angostura, assim como o que encontrou nos computadores do ex-líder das Farc “Raúl Reyes”, morto nessa operação.

O Equador também expressou sua preocupação com uma recente informação divulgada na Venezuela, no sentido de que a Colômbia teria mantido operações de espionagem nesse país, em Cuba e no Equador.

Pelo lado colombiano, um dos temas sensíveis está ligado a atuação da Justiça equatoriana, que investiga o caso Angostura e que formulou acusações contra funcionários e ex-funcionários civis e militares da Colômbia.

Sobre este assunto, Bermúdez insistiu em que a Colômbia “não aceita extraterritorialidade” da Justiça equatoriana, e que defenderá suas autoridades e soldados. No entanto, o chanceler colombiano disse que, justamente, esses são os temas sensíveis que devem ser tratados de forma reservada e prudente na comissão, e que devem ser abordados de maneira “conjunta e simétrica”, sob o auspício da OEA e do Centro Carter.

De seu lado, Falconí deixou em claro que seu país procura “conhecer a verdade” do que aconteceu, mas voltou a insistir em que os dois governos decidiram aceitar um protocolo e um procedimento preciso, para tratar estes assuntos dentro da Comissão de Considerações Sensíveis.

Equador e Colômbia reativam reuniões para restabelecimento dos vínculos diplomáticos

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