Sábado, 25 de abril de 2026
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Os cerca de 15 mortos e mais de 500 feridos deste sábado (10/4) em Bangcoc, capital da Tailândia, são o episódio mais recente de uma disputa política que já dura quase cinco anos.

A crise no país do Sudeste Asiático, antigo Sião, teve início em setembro de 2006, quando um golpe militar derrubou o governo do primeiro-ministro Thaksin Shinawatra.

Na Tailândia, que é uma monarquia parlamentarista, o governo fica integralmente nas mãos do primeiro-ministro, eleito pelo parlamento de acordo com o partido que tiver maioria. O monarca – atualmente, rei Bhumibol – tem pouca ingerência na política e, neste caso específico, tem preferido não intervir.

Por isso, a derrubada de Shinawatra por meio de um golpe militar com apoio de setores conservadores representou uma ruptura do processo político no país, e grande parte dos apoiadores do primeiro-ministro eleito nunca aceitou sua deposição.



Localização da Tailândia no continente asiático

Thaksin Shinawatra é um magnata que fez carreira como empresário do setor de tecnologia da informação. Nascido em 1949 em uma família rica da província de Chiang Mai, Thaksin foi policial e produtor de cinema, antes de abrir uma empresa que fornecia softwares de segurança de dados para órgãos públicos. Depois, investiu em telecomunicações (por satélite), televisão e educação (fundando uma das maiores universidades privadas da Tailândia).

Em 1994, entrou para a política, convidado pelo então líder do partido governista, Chamlong Srimuang, para ser ministro das Relações Exteriores. Em 1997, virou vice-primeiro-ministro. No ano seguinte, Shinawatra fundou seu próprio partido, o Thai Rak Thai (ou “tailandeses amam tailandeses”), com o qual venceu de lavada as eleições de janeiro 2001 e tornou-se primeiro-ministro.

No governo, o empresário optou por seguir uma linha populista de esquerda, abrindo créditos para pequenos produtores rurais, criou um programa nacional de saúde pública, manteve os juros baixos, descentralizou a gestão da educação e reformou o funcionalismo público, delegando poderes a governos locais. Na época, os indicadores econômicos e sociais da Tailândia deram saltos, fazendo o país se recuperar rapidamente da crise asiática de dois anos antes. Em quatro anos, o nível de pobreza caiu pela metade.

Antônio Cruz/ABr



Shinawatra em encontro com o presidente Lula, em 2004: governo enfatizou políticas sociais

Em 2005, foi reeleito com a maior votação da história tailandesa. Mas, nessa época, já tinha angariado antipatia de políticos conservadores, empresários adversários e antigos aliados, além de sofrer acusações de corrupção, abuso de poder e restrições à liberdade de imprensa.

Golpe e exílio

Em 19 de setembro daquele ano, quando Shinawatra estava em viagem oficial a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, o exército tomou o controle de Bangcoc, ocupou o palácio do governo e a emissora pública de TV. Os generais Prem Tinsulanonda e Sonthi Boonyaratglin lideraram a insurreição. Dias depois, um terceiro general, Surayud Chulanont, foi empossado como primeiro-ministro interino. Shinawatra foi impedido de voltar ao país.

Seus correligionários que ficaram na Tailândia – não só membros do partido Thai Rak Thai, mas militantes de movimentos sociais, principalmente de áreas rurais – defendem a volta do governante eleito e, desde abril de 2009, promovem protestos recorrentes em Bangcoc contra o governo atual. Por usarem roupas da cor da bandeira do partido, são conhecidos como “camisas-vermelhas”.

Em junho de 2007, Thaksin Shinawatra comprou o clube de futebol inglês Manchester City, mas vendeu-o a empresários árabes no ano seguinte.

Desde o golpe, o empresário vive no exílio, passando por diversos países, como China, Reino Unido, Filipinas, Alemanha e Nicarágua.

Entenda o conflito na Tailândia

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