Sábado, 25 de abril de 2026
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Uma delegação da Nicarágua chega esta semana à Ossétia do Sul, república separatista no território da Geórgia, para uma visita de três dias em que serão iniciadas as relações diplomáticas de fato entre o país sul-americano e o movimento secessionista.

Segundo o jornal georgiano (publicado em inglês) The Messenger, a delegação nicaragüente é presidida pelo chanceler Samuel Santos López e desembarcou nesta terça-feira (13/4) a Tskhinvali, “capital” sul-osseta.

“Durante a visita, esperamos assinar uma declaração conjunta sobre o estabelecimento de laços diplomáticos entre a República da Ossétia do Sul e da República da Nicarágua”, disse o ministro sul-osseta de facto do Exterior, Murat Jioev, citado pela agência de notícias RES, controlada pelos separatistas. “Um protocolo sobre consultas entre os dois Ministérios dos Negócios Estrangeiros também está nos planos”.

A Ossétia do Sul proclamou unilateralmente sua independência da Geórgia em 1990, quando ambas ainda faziam parte da União Soviética. Com o fim da URSS, no ano seguinte, a região tentou se libertar do governo de Tblisi e chegou a sofrer uma guerra localizada que deixou mil mortos e 123 mil refugiados. Durante anos, a proclamação teve apenas efeito simbólico, sem reconhecimento internacional. Mas, depois da breve guerra entre a Rússia e a Geórgia em agosto de 2008 (e usando o reconhecimento do Ocidente à independência unilateral do Kosovo, parte da Sérvia), a Rússia reconheceu a proclamação.

Quatro países

Ainda segundo o jornal, a Geórgia, que reivindica soberania sobre o território sul-osseta, classificou a visita como “uma violação da legislação internacional e georgiana”. Para o deputado Davit Darchiashvili, do partido Movimento Nacional, o país centro-americano deu “um passo hostil” contra o governo de Tblisi.

“O parlamento vai tomar uma reação adequada a este movimento. No entanto, não podemos dizer de antemão que tipo de reação será”, declarou. “Vamos conversar com o povo da Nicarágua e com o congresso, e não com o governo do presidente Ortega. Ele é uma pessoa odiosa, independente da realidade internacional”.

Além da Nicarágua, o único outro país da América Latina a reconhecer a Ossétia do Sul como país independente é a Venezuela. Fora os três governos já citados, somente a República de Nauru, no Pacífico Sul, também reconhece a independência da região.

Em visita, Nicarágua inicia relações diplomáticas com Ossétia do Sul

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