Em três anos, 230 mil pessoas deixaram Ciudad Juárez, aponta pesquisa
Em três anos, 230 mil pessoas deixaram Ciudad Juárez, aponta pesquisa
Pelo menos 230 mil pessoas imigraram de Ciudad Juárez, no estado mexicano de Chihuahua, nos últimos três anos, informou um estudo divulgado pelo Observatório de Segurança e Convivência Cidadã de Ciudad Juarez nessa terça-feira (21/9). A principal causa apontada para o êxodo é a violência provocada pelo narcotráfico.
Do total, 124 mil – o equivalente a 53,9% – foram para os Estados Unidos. Os demais moradores retornaram às suas cidades de origem, localizadas principalmente nos estados de Durango, Coahuila e Veracruz. O prefeito de Juárez, José Reyes Ferriz, revelou que mais de 20 mil casas já foram abandonadas por medo de assassinato, chantagem ou sequestro.
Juárez é considerada uma das cidades mais violentas do mundo. De acordo com estatísticas oficiais, sete mil pessoas foram assassinadas desde 2008. Ao longo deste ano houve duas mil vítimas.
Os autores do estudo, Ramón Chavira e Wilebaldo Martínez, da UACJ (Universidade Autônoma de Ciudad Juárez) afirmaram que é preciso “agir imediatamente” para evitar que a violência e a falta de segurança prejudiquem ainda mais a economia local, gerando desemprego.
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Impactos
Os impactos da violência na economia de Juárez são perceptíveis e a imigração é uma das causas. Conforme mostrou reportagem do correspondente do Opera Mundi no México, muitas pequenas e médias empresas do setor têxtil fecharam por conta da onda de assassinatos. Do outro lado da fronteira, na norte-americana El Paso, o número de pequenas empresas aumentou 40% em 2009 em comparação com 2008, segundo dados da Câmara Hispânica de Comércio.
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O turismo, que é a segunda fonte de dinheiro do município, atrás somente do setor têxtil, caiu pelo menos 28%, segundo a Câmara de Comércio e a Associação Mexicana de Hotéis e Motéis da Zona Norte do estado de Chihuahua. Os cálculos foram feitos com base em comparações dos dados do INEGI (Instituto Nacional de Estatística e Geografía), e em entrevistas feitas com familiares de imigrantes.
Imprensa
A violência em Juárez tem prejudicado também a imprensa local. Em 2010, 11 jornalistas foram assassinados. No último domingo, o maior jornal da cidade, Diário de Juárez, publicou um editorial endereçado ao cartéis da droga, pedindo “trégua” na violência e que expliquem o querem dos jornalistas.
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Segundo o Centro de Ajuda a Imigrantes Las Américas, em El Paso, é provável que exista uma nova onda de “jornalistas refugiados”. “Acredito que queiram calar as vozes dos repórteres que são os que estão na linha de frente. Como organização, vamos apoiar este tipo de situação”, disse Eduardo Beckett, advogado da entidade.
Após a publicação do editorial do Diário, o governo do presidente Felipe Calderón, que tem sido cada vez mais criticado pelos altos índices de violência, criticou a mensagem enviada aos traficantes. Um porta-voz do governo afirmou que “não cabe de modo algum que qualquer ator possa pactuar, promover uma trégua ou negociar com criminosos”.
Em entrevista coletiva concedida na segunda-feira, ele lamentou a morte de jornalista, mas disse que os fatos estão provavelmente ligados a “motivos pessoais”. Desde 2006, quando Calderón assumiu, 28 mil pessoas já foram assassinadas em todo país.
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