Em Israel, Lula defende negociações com palestinos e desarmamento nuclear
Em Israel, Lula defende negociações com palestinos e desarmamento nuclear
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu hoje (15) com o colega israelense, Shimon Peres, e defendeu um mundo sem armas nucleares. Na primeira visita de um chefe de Estado do Brasil ao Oriente Médio em mais de 100 anos, Lula também falou sobre o conflito entre Israel e Palestina e foi cobrado pelas autoridades israelenses sobre as relações com o Irã.
“Para resolver situações dilacerantes, é necessário construir alternativas racionais e duradouras de paz. Mas não é suficiente pôr apenas a cabeça a funcionar. É preciso, igualmente, que o coração esteja presente”, afirmou o presidente brasileiro em sessão especial da Knesset, o parlamento de Israel.
Apesar de reiterar o apoio do Brasil à existência de um “Estado de Israel, soberano, seguro e pacífico”, o discurso foi focado nas intenções de paz. “Há urgência de ver israelenses e palestinos vivendo em harmonia”.
Lula pediu a Peres que fizesse um “esforço” para que os dois povos convivam em paz e o incentivou a buscar a paz “a cada dia, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo”, com o objetivo de alcançá-la até 2012, ano em que termina o mandato do israelense.
“Eu acho que não existe uma única palavra e um único motivo que justifique a guerra. Mas existem milhões de palavras e milhões de gestos que justificam a paz. E acho que nós precisamos buscá-la”, disse Lula em entrevista coletiva no jardim da residência presidencial. Lula também afirmou que a política é a “arte de vencer as coisas que parecem impossíveis”.
Lula usou o Brasil como exemplo de convivência pacífica ao comentar que 10 milhões de árabes vivem no país em harmonia com milhares de judeus – um modelo que, segundo ele, pode ser utilizado para conseguir um entendimento mais profundo no Oriente Médio.
Peres, por sua vez, concordou com a necessidade de imediatismo para atingir a paz com árabes e palestinos. Para ele, “não resta muito tempo” para que atitudes sejam tomadas. Além disso, o presidente israelense destacou que Lula deu “um novo legado à democracia” no Brasil.
Ainda hoje, Lula segue para a cidade de Belém, na Cisjordânia, onde assiste ao encerramento de um encontro empresarial e se reúne com o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, com quem pretende fortalecer as relações bilaterais.
Além disso, Lula depositará flores no túmulo do dirigente palestino Yasser Arafat. O ato causou mal-estar em Israel, segundo a imprensa local, pelo fato de Lula não ter ido visitar também o túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl.
De acordo com o jornal israelense Haaretz, esse foi o motivo de o ministro de Assuntos Exteriores do país, Avigdor Lieberman, não ter comparecido para assistir ao discurso de Lula.
O porta-voz de Lieberman, Tzachi Moshe, confirmou à Agência Efe que o ministro não compareceu ao Knesset para o discurso de Lula, mas preferiu não comentar se o chefe da diplomacia israelense estaria boicotando a visita.
Brasil–Irã
Em discurso que antecedeu o de Lula, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez referência à questão nuclear e cobrou explicações sobre a relação do Brasil com o Irã. Os israelenses defenderam a mudança de posição do Brasil, atualmente contrário à aplicação de sanções aos iranianos.
“Irã e Brasil têm valores opostos”, afirmou Netanyahu. Segundo ele, a república islâmica “representa a tirania e a crueldade”, enquanto o Brasil “representa a abertura e a tolerância”.
Após a declaração, Netanyahu pediu ao presidente brasileiro que apoiasse a frente internacional que se opõe ao programa nuclear iraniano.
Sem armas nucleares
“Peço ao senhor que apoie a junta internacional contra o armamentismo do Irã. Vocês são a favor da liberdade. Eles [os iranianos] adoram a morte e vocês adoram a vida. O Irã representa, hoje em dia, o eixo central contra a estabilidade e a paz no Oriente Médio”, afirmou Netanyahu, segundo o Haaretz.
Segundo serviços de inteligência estrangeiros, o Estado de Israel possui armas nucleares não-declaradas.
Já Lula não entrou nas provocações nem respondeu diretamente às críticas. No discurso, limitou-se a ratificar os esforços brasileiros pela paz em países vizinhos e sugerir que o Brasil tenha maior participação nas negociações no Oriente Médio
“Em meu país, há uma proibição constitucional de produção e utilização de armamento nuclear. Temos orgulho de proclamar que a América Latina e o Caribe são uma zona livre de armas de destruição em massa. (…) Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em outras partes do mundo”, afirmou.
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