Em Indiana, médicos podem ser obrigados a dizer que aborto aumenta o risco de câncer
Em Indiana, médicos podem ser obrigados a dizer que aborto aumenta o risco de câncer
A exemplo do Texas, onde as mulheres que decidirem pelo aborto serão obrigadas a escutar o coração do bebê antes da intervenção, o estado norte-americano de Indiana também busca colocar em prática uma medida restritiva. Aprovado pelo Senado, o projeto de lei que obriga médicos a alertarem suas pacientes para o aumento do risco de câncer de mama em casos de aborto agora segue para a Câmara dos Deputados.
Além disso, a medida prevê que os profissionais de saúde façam um ultrassom, detalhando as características do feto e digam que uma intervenção causaria dor a ele. Por fim, o projeto de lei tornaria o aborto ilegal se feito após 20 semanas de gestação. A lei sobre aborto em Indiana diz que as mulheres têm o direito de decidir pela intervenção até o primeiro trimestre de gestação, sem restrições.
O responsável pela iniciativa, o senador republicano Eric Turner, citado pelo site Huffington Post, afirmou que confia em sua aprovação, pois “o Congresso de Indiana é pró-vida”. “Eu acho que a grávida precisa ter todo tipo de informação que puder”, disse Turner, em defesa da lei. “É importante que ela veja uma imagem de ultrassom antes que decida fazer um aborto. Ela verá que se trata de um ser vivo.”
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Os senadores democratas saíram do estado para evitar a votação da medida, e ainda não há estimativa de uma data. Por sua vez, organizações pró-aborto realizaram nesta quinta-feira (09/03) manifestações contra o projeto de lei. Para elas, a teoria de que o aborto aumenta as chances de câncer de mama é falsa.
A American Cancer Society (ACS) e outras organizações de saúde sustentam a posição dos manifestantes. Em fevereiro de 2003, o Instituto Nacional do Câncer dos EUA reuniu mais de 100 dos principais especialistas do mundo que estudam a gravidez e os riscos de câncer de mama e foi concluído que abortos – espontâneos ou induzidos – não levam ao aumento no risco de câncer de mama. Na verdade, disseram os médicos, o risco existe quando uma mulher passa por todo o período da gravidez e tem a criança.
Indiana não seria o primeiro estado a promover esta teoria. Segundo o Instituto Guttmacher, cinco estados – Alasca, Mississippi, Oklahoma, Texas e Virgínia Ocidental – atualmente incluem menções da ligação entre aborto e câncer de mama em materiais de aconselhamento divulgados pelo serviço de saúde.
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