Sábado, 9 de maio de 2026
APOIE
Menu

Os 32 presos mapuches, grupo indígena chileno, em greve há quase dois meses, afirmaram que estão dispostos a chegar “às últimas consequências”, caso o governo do presidente Sebastián Piñera não aceite negociar.

Os presos exigem a libertação de presos políticos
ligados ao movimento indígena, considerado “terrorista” pelo
governo desde a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Os mapuches
pedem também que a legislação chilena deixe de classificar como ato de
terrorismo as reivindicações do movimento indígena. 

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

“Há um acordo geral para resistir até as últimas consequências”, informa a primeira declaração pública do grupo feita após o início da greve, em 12 de julho e divulgada nesta quarta-feira (8/9). “Nós propusemos esta greve de fome como uma forma de protestar contra as arbitrariedades que temos que suportar”, explicou Mauricio Huaiquilao, porta-voz do grupo, preso na penitenciária de Temuco, a 750 quilômetros da capital, Santiago.

Leia mais:

Mais lidas

A luta mapuche por autonomia

Análise: Os mapuches não são cubanos

Conflito entre índios e governo se agrava no sul do Chile

Chile: presos indígenas iniciam greve de fome contra lei da ditadura

Segundo Huaiquilao, a greve de fome foi a única maneira encontrada para pressionar o governo para um diálogo. “Esperamos resistir até o final e transformar isso em uma forma de pressão que tenha resultados. Nos sacrificamos em nome de nosso povo, sem esperar que outros companheiros tomem a mesma decisão. É critério de cada um”, disse.

Huaiquilao, que se define como um “preso político mapuche” por estar com prisão preventiva decretada desde 5 de fevereiro de 2009, disse que a reforma na legislação anunciada nesta semana pelo presidente “é uma imposição que corresponde à mesma essência do governo, que não conversa”.

Na terça-feira, Piñera assinou um projeto de lei para modificar a justiça militar, mas os mapuches consideram que a medida continua limitando o direito de se defender e de ter um julgamento justo. “As mudanças deste projeto de lei são mais uma imposição. Nós apelamos à consciência do governo para que sente e negocie conosco”, disse Huaiquilao.

Já o presidente afirma que a greve de fome é “um instrumento ilegítimo na  democracia”.

“Nós vamos morrer, talvez não nessa greve, mas nossos filhos vão ficar, e os filhos de nossos filhos vão ter que continuar este legado digno e de não submissão diante da injustiça e da infâmia do Estado”, afirmou Mauricio Huaiquilao.

Greve líquida



Huaiquilao contou à agência de notícias espanhola Efe que, alguns presos de Temuco, já estão muito fracos, com desmaios constantes e dores no corpo. A greve de fome dos mapuche é líquida, ou seja, ingerem somente água.

Os mapuches formam o grupo indígena mais numeroso do Chile, representando 6,6% da população total, de 16 milhões de habitantes.

Os indígenas alegam que suas terras estão sendo exploradas “de forma irracional” por empresas privadas, que estão desmatando a região e prejudicando seu modo de vida. Criticam, por exemplo, a construção de uma represa e a instalação de uma fábrica de celulose, que desmatou dois mil hectares de terras de povos ancestrais.

Os indígenas estão nas prisões chilenas de Temuco, Concepción, Lebu e Angol por ações ligadas a reivindicação de terras que consideram ancestrais. Alguns deles estão na prisão há cinco anos. No início, 23 presos estavam sem comer, agora, há 32.

Siga o Opera Mundi no Twitter

Em greve de fome, presos mapuches dão ultimato ao governo do Chile

NULL

NULL

NULL