Terça-feira, 19 de maio de 2026
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O julgamento do ex-presidente da Libéria Charles Taylor, acusado de
crimes de guerra e contra a humanidade, sofreu uma reviravolta de
última hora nesta terça-feira (08/02). Na fase de considerações finais
do julgamento da acusação e da defesa, o advogado de Taylor, Courtenay
Griffiths, abandonou a sala de julgamento em protesto pela negativa do
tribunal em aceitar seu texto.

Ele queixou-se de “falta de tempo, apenas oito horas” para formular os
argumentos da defesa, e considerou que, como o documento não foi
aceito, não poderia defender Taylor adequadamente, visto que continha
as linhas de raciocínio de suas alegações orais. “[O tribunal]
compromete sua credibilidade ao não admitir 90% dos argumentos de meu
cliente”.

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Os juízes explicaram que a recusa se deveu ao atraso no prazo
processual, e que Griffiths entregou o documento muito tarde, mesmo
conhecendo os prazos.

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A promotora Brenda Hollis, por sua vez, sustentou que Taylor não só
financiava grupos rebeldes na vizinha Serra Leoa, como os dirigia e
dava instruções com o fim de controlar as minas de diamantes locais.
“Todas as instruções dadas à Frente Unida Revolucionária em Serra Leoa
(RUF) provinham de Charles Taylor (…) que dirigia os rebeldes para
atingir seus objetivos de controlar o território, a população (…) e
assim tomar o controle dos recursos de Serra Leoa, especialmente dos
diamantes, que são fáceis de transportar e de colocar no mercado”,
declarou.

A promotoria alegou ainda que Taylor estava por trás da “campanha de
terror” das forças da RUF sobre a população de Serra Leoa, que
ameaçavam de morte quem desobedecesse às instruções do ex-presidente
liberiano.

“Taylor criou condições de terror e decidia sobre a vida e a morte
(…)”, afirmou a promotora aos juízes, aos quais lembrou o tipo de
atrocidades cometidas durante a guerra civil no país africano.

“As pessoas eram queimadas vivas em suas casas, eram decapitadas, as
crianças eram enterradas vivas na frente das mães (…) e esse terror
era proposital”, afirmou Hollis.

A promotora também pediu aos juízes que “revisem cuidadosamente” as
provas da defesa e as declarações de Taylor no julgamento, porque
“estão cheias de contradições”.

Taylor, que ficou sozinho após a saída de seu advogado, se declara
inocente das acusações que pesam contra ele e negou que entregasse
armas às forças do RUF em troca de receber os chamados “diamantes de
sangue” extraídos pelos rebeldes.

O caso

Taylor é julgado em Haia, na Holanda, no Tribunal Especial de Serra
Leoa, onde é acusado de comandar grupos rebeldes em Serra Leoa durante
a guerra civil do país (1992-2002), que deixou mais de 100 mil mortos.

De acordo com as acusações, Taylor vendeu armas para os rebeldes em
troca de diamantes brutos. Além disso, desde 2008, o ex-presidente da
Libéria é acusado em Haia por onze acusações de crimes de guerra e
contra a humanidade, como assassinato, estupro, recrutamento de
crianças como soldados e abuso sexual durante o conflito civil.

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Em fase final de julgamento, advogado de ex-presidente da Libéria abandona sessão

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