Quinta-feira, 23 de abril de 2026
APOIE
Menu

Sob forte esquema de segurança, que incluiu a revista de calçados e bagagens por cães farejadores da Polícia Federal logo na entrada da Unipalmares (Universidade Zumbi dos Palmares), em São Paulo, a secretária de Estado norte-americana enfrentou na noite de ontem (3) uma plateia diversificada. Alunos e professores da instituição de ensino, representantes de ONGs e dois jornalistas da Rede Globo, os únicos autorizados a fazer perguntas, questionaram Hillary a respeito da relação do governo Obama com a América Latina, Irã e também oportunidades para brasileiros nos Estados Unidos.

Sebastião Moreira/Efe



Hillary: Brasil e EUA são países grandes, pluralistas e têm povos felizes

Como definiu Hillary, a primeira pergunta foi direta: como a secretária avaliou a conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o Irã. A resposta, porém, não foi tão precisa. Sem mencionar a reunião com Lula e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que havia acontecido horas antes em Brasília, ela disse que o Brasil e os EUA têm uma meta comum, que é a de impedir o Irã de produzir armas nucleares. “Agora resta o diálogo, uma discussão para definir como atingir essa mesma meta”, afirmou. 

No entanto, ela voltou a pedir o apoio brasileiro. “O Brasil é um ator global com mente independente, ele pensa nos seus próprios interesses econômicos e de segurança, assim como os EUA. Mas a questão principal é o que fazer com o Irã. Esperamos apoio para uma ação única contra o país”, disse.

Leia também:

Punir Irã seria tão prematuro quanto acusar Iraque de ter armas químicas, diz Amorim ao lado de Hillary

Brasil pode ter papel estratégico em diálogo com Irã, diz Hillary

Alarcón: de boas intenções, Obama está cheio

Opinião: Os fuzis da senhora Clinton

A questão sobre o Irã era esperada por se referir a um dos principais motivos da visita de Hillary a América Latina. No ano passado, Brasil, Venezuela e Argentina receberam o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejd, suscitando críticas dos EUA, que insistem que o programa nuclear da república islâmica não tem fins pacíficos e exigem a aplicação de mais sanções. Hillary tentou convencer Lula a condenar a iniciativa de Teerã, sem sucesso.

Ontem, Lula disse que não é prudente “encostar o Irã na parede” e insistiu no diálogo como solução para o impasse. “O que é prudente é estabelecer negociações”, ressaltou o presidente.

Em seguida, o foco passou a ser a relação de Obama com a América Latina. Hillary foi questionada se a demora para cumprir promessas feitas após assumir a presidência, como o fechamento da prisão de Guantánamo e o fim do embargo a Cuba, não estaria gerando insatisfação. Sem citar os dois temas, a secretária de Estado apenas justificou que “não é fácil mudar uma política da noite para o dia”.

Visto de trabalho

Enquanto os dois jornalistas se concentraram em perguntas sobre as relações diplomáticas dos EUA, a plateia de estudantes preferiu abordar a possibilidade de brasileiros obterem vistos de trabalho nos EUA. Hillary afirmou que seu país quer aumentar o intercâmbio com o Brasil. “Os dois países têm muitas coisas em comum, somos os países das Américas que têm mais pontos em comum: somos grandes, com povos felizes e pluralistas”, afirmou.

Ela prometeu que incentivos serão dados, como a melhoria do ensino de inglês em escolas públicas e o aumento do número de consulados norte-americanos no Brasil. Naquele momento, Hillary olhou para o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, que estava na primeira fila, e afirmou que ele está trabalhando para “ampliar as possibilidades”.

Uma estudante da Unipalmares perguntou à secretária se ela tinha “medo” de brasileiros, provocando risos da platéia. Hillary respondeu que “de jeito nenhum”, pois gostava de conviver com brasileiros que iam até a embaixada brasileira em Washington, localizada perto de sua casa.

Grupo sem EUA e Canadá

A respeito da criação de uma entidade sem a participação dos EUA e do Canadá, iniciada durante a Cúpula da América Latina e do Caribe, realizada no México em fevereiro, Hillary disse que os “EUA não encaram isso como um fato infeliz”.

“Existe uma necessidade na América Latina que existam grupos diferentes, assim como existem grupos na América do Norte que excluem os países da América do Sul. Precisamos trabalhar para a região, ou seja, quanto mais pudermos cooperar, deixar as diferenças de lado, melhor”, afirmou.

Políticas afirmativas e cotas nas universidades foram tema de cinco perguntas.  A secretária ganhou simpatia de alguns alunos quando afirmou que é a favor de criar cotas para o ensino superior, mas que defendia um “apoio a esses estudantes durante o curso”.

Após quase duas horas de entrevista, Hillary e a numerosa equipe de segurança acionada para sua visita a São Paulo deixaram a Unipalmares. A secretária viajou ainda à noite para a Costa Rica, onde se encontra com a presidente eleita, Laura Chinchilla.

Em encontro com estudantes, Hillary volta a pedir apoio do Brasil na aprovação de sanções contra Irã

NULL

NULL

NULL