Em Dia da Unidade Alemã, Merkel pede "coragem" para superar crise
Em Dia da Unidade Alemã, Merkel pede "coragem" para superar crise
Durante as comemorações do tratado assinado em 3 de outubro de 1990 que dissolveu a República Democrática Alemã (RDA), a chanceler Angela Merkel evocou hoje como “verdadeiros agentes da unidade” da Alemanha e da Europa os cidadãos comuns que romperam a Cortina de Ferro atrás da liberdade. Ela pediu para manter viva a coragem mostrada na ocasião para superar o grande desafio do presente: a crise econômica global.
“Precisamos da força produtiva de 1989, quando o povo mostrou toda sua força, para assumir os desafios atuais”, enfatizou Merkel em Saarbrücken, junto à fronteira francesa, no dia da Unidade Alemã e perante o próximo 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989.
O desafio agora é superar a crise econômica provocada “pelos excessos de alguns banqueiros”, lembrou Merkel, quase uma semana após sua reeleição e a caminho de formar governo em coalizão com os liberais.
“Os tempos dos excessos ficaram para trás, resta superar seus estragos, como devemos fazer com as marcas da divisão alemã”, disse a chanceler, que em 2005 se tornou a primeira mulher – do leste – a chegar à chefia de um governo federal alemão.
Problemas da atualidade
A face positiva da unificação é a posição da Alemanha no mundo, como potência respeitada, mas não temida, enquanto o outro lado da moeda é o desnível econômico e social persistente entre as duas partes do país.
O índice de desemprego do leste ainda é o dobro da taxa do oeste, e os níveis salariais e das aposentadorias não estão equiparados. Desde 1990, mais de 1,5 milhão de cidadãos do leste emigraram ao oeste, em busca de melhores perspectivas trabalhistas.
As comemorações do Dia da Unidade estiveram envolvidas em medidas de segurança reforçadas a níveis pouco frequentes na Alemanha, após a difusão nas últimas semanas de vários vídeos da Al Qaeda anunciando um “amargo despertar” para o país.
A Al Qaeda exige do novo governo de Merkel a retirada das tropas do Afeganistão – o contingente alemão é o terceiro na missão internacional desse país, após Estados Unidos e Reino Unido.
Já antes das eleições gerais, no domingo passado, foi reforçada a presença policial em aeroportos, estações de ferrovia e outros lugares, e a situação de alerta persiste, já que a rede terrorista falava que esse “despertar” aconteceria após as eleições.
Festa
Enquanto isso, em Saarbrücken, onde se concentraram efetivos policiais de vários länder (estados federados) em Berlim e Munique – onde acontece a Oktoberfest, continuava a situação de alerta em grandes concentrações humanas.
Berlim teve uma festa na rua, cenário de teatro andarilho para um conto protagonizado por uma personagem maior, símbolo da República Federal da Alemanha (Alemanha), e outra representando a RDA.
O espetáculo, obra da Compagnie Royal de Luxe, começou ontem, com o “despertar” da marionete menor, a Alemanha comunista, do coração do antigo setor leste.
Rainer Jensen/EFE
Marionete da companhia teatral Royal de Luxe, durante as celebrações do Dia da Unificação
A marionete maior foi içada hoje das águas do rio Spree, perante a estação central ferroviária, e começou a busca da outra personagem, em direção ao Portão de Brandeburgo.
Com esta alegoria bem-intencionada – e paternalista – foi representado o reencontro familiar das duas “Alemanhas”, separadas durante décadas e emergindo reunificadas no coração de Berlim.
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