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El Salvador viveu uma semana de queda de braço entre o governo do presidente Mauricio Funes e as duas maiores gangues criminosas do país, a Mara Salvatrucha e a Mara 18. Após Funes anunciar a sanção de uma lei que estabelece a pena de dez anos de prisão por participação em grupos armados, as “maras” ordenaram a paralisação do transporte coletivo na capital, San Salvador e levaram pânico à população.

Desde ontem (10/9), os serviços voltaram ao normal. Em comunicado, as gangues pediram ao povo salvadorenho “sinceras desculpas pelos inconvenientes
causados” pela paralisação do transporte que, segundo fontes oficiais,
afetou entre 40 e 60% das rotas.



Efe (08/09/2010)



Salvadorenhos utilizam transporte alternativo durante paralisação promovida por gangues



Os protestos também atingiram as penitenciárias de El Salvador, onde
centenas de integrantes dos grupos já estão presos e se declararam em
“estado de rebelião”.

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“Queremos esclarecer que a medida [a paralisação] foi executada com o
único objetivo de sermos escutados. Há alguns meses o presidente Funes
chamou todos os setores para consultas sobre o tema da violência e não
fomos convidados”, acrescentou o documento dos grupos.

Temendo represálias, cerca de 80% das empresas de transporte público
acataram a ordem das gangues e camionetes particulares passaram prestar
um serviço improvisado de transportes. Cerca de 70% das lojas também
fecharam, já que a gangue Mara 18 enviou uma mensagem dizendo que os
estabelecimentos que abrissem as portas teriam de “arcar com as
consequências”, segundo reportagem da BBC Mundo.


Lei



Mesmo com a ação criminosa, o presidente sancionou nesta quinta-feira (9/9) a “Lei de proscrição de gangues, bandos, agrupamentos, associações e organizações de natureza criminosa”, como é chamada a medida, que também torna crime financiar ou colaborar com os grupos.

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A lei já havia sido aprovada pela Assembleia Legislativa no dia 1º de setembro com apoio de 78 dos 84 deputados e representa uma das tentativas de Funes controlar a violência no país. Em fevereiro do ano passado, o governo anunciou um Plano Nacional de Segurança, que tem como objetivo reduzir os altos níveis de homicídios e combater as gangues e o crime organizado. Dados oficiais indicam que no país existem 15 mil membros de gangues.

Antes de o presidente assinar a lei, o governo já havia anunciado que não “deixaria se intimidar pelas pressões” e que os protestos são uma medida “desesperada”. Além de aprovar a lei, Funes afirmou que não há possibilidade de negociação. Por isso, destituiu um padre de uma comissão governamental porque ele havia se oferecido como mediador de um eventual diálogo.  

O ministro da Defesa, David Munguía Payés, afirmou que o governo não negociará com os grupos. “Um governo democrático como o nosso, eleito legitimamente, não pode negociar com organizações criminosas”, disse Munguía à emissora salvadorenha Channel 4.


Violência

Atualmente, a extorsão é um dos principais problemas do país, que, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), é o mais violento da América Central. Os grupos, principalmente os Mara Salvatrucha e Mara 18, são acusados de usar  chantagem para conseguir dinheiro, financiar as atividades e manter o controle dos territórios.

Além disso, nas regiões dominadas pelas maras, seus membros tendem a consumir e comercializar drogas, cometer crimes e, quando acham necessário, impor toques de recolher, sem que a polícia tenha controle.

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Em desafio contra presidente, gangues ameaçam ordem pública em El Salvador

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