Sábado, 11 de abril de 2026
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O Presidente de El Salvador, Mauricio Funes, desmentiu a entrada de seu país na Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) por causa da “aliança estratégica” que mantém com os Estados Unidos – o maior comprador dos produtos salvadorenhos e principal destino de emigrantes.

Segundo reportagem da revista salvadorenha Contrapunto, Funes declarou que seu país não vai entrar na Alba e seu governo “sequer está considerando” essa possibilidade. “Já temos um pertencimento como nação. Abandonar essa posição pela Alba ou qualquer outra tentativa de agrupamento de ordem política ou ideológica seria deixar de lado nossa história e nossos compromisos com os povos irmãos da América Central”, declarou o presidente.

Políticos salvadorenhos, tanto da oposição quanto governistas, consideraram o anúncio como uma desmoralização do vice-presidente, o líder revolucionário Salvador Sánchez Cerén. No mês passado, em visita ao presidente cubano, Raúl Castro, Sánchez Cerén classificou a associação de El Salvador ao grupo como algo que aconteceria de forma “natural” e que seu governo já estava “analisando” a proposta.

Não é a primeira vez que Funes desagrada a ala mais radical do partido ao qual pertence, o FMLN (Frente Farabundo Martí para Libertação Nacional). Este mês, Cerén esteve em Caracas para participar de um congresso do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) em que confirmou a participação do FMLN na Quinta Internacional Socialista, promovida por Hugo Chávez.

Em um comunicado oficial da Comissão Política do FMLN, o partido declarou apoiar “plenamente a adesão expressada pela delegação do FMLN ao movimento da Quinta Internacional Socialista”. Funes, no entanto, disse que a opinião de Cerén não representava nem comprometia a posição oficial do governo salvadorenho, e que isso era competência exclusiva do presidente.

O FMLN, antigo movimento guerrilheiro, é o primeiro partido de esquerda a conquistar a presidencia na história de El Salvador.

Para a dirigente oposicionista Gloria Salguero Gross, fundadora do partido Arena (Aliança Republicana Nacionalista), as divergências entre o presidente e o vice criam incertezas que afetam tanto o plano nacional quanto internacional. “Eles deveriam entrar em um acordo porque não sendo coerentes nem estão gerando confiança entre a população, os empresários e os investidores estrangeiros”, declarou, em uma entrevista na TV.

Para o advogado Félix Ulloa, presidente do Iejes (Instituto de Estudos Jurídicos de El Salvador), “certamente existem duas agendas políticas diferentes”, mas estas contradições são “aceitáveis e manejáveis”.

“Funes supervisiona a agenda da nação e suas mensagens são direcionadas para a nação e o exterior. Cerén está enviando mensagens para a base do seu partido que, em breve terá sua convenção nacional em que a direção atual não será renovada, mas reeleita”, analisou Ulloa.

El Salvador não vai entrar na Alba, diz presidente

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