Egito terá referendo sobre nova Constituição em dois meses, dizem ativistas
Egito terá referendo sobre nova Constituição em dois meses, dizem ativistas
Ativistas egípcios envolvidos na organização dos protestos que
derrubaram o ditador Hosni Mubarak na semana passada anunciaram nesta
segunda-feira (14/02) que o Conselho Supremo Militar do Egito espera
finalizar mudanças na Constituição em dez dias e convocar um referendo
sobre as novas normas em dois meses.
As medidas, que abririam espaço para eleições democráticas, foram
previstas no domingo (13/02) após uma reunião entre ativistas e membros
do Conselho. Anteriormente, o exército havia anunciado a dissolução do
Parlamento, a suspensão da Constituição e que governaria o país durante
o período de transição política até a formação de um novo poder civil.
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“Um comitê constitucional conhecido por sua integridade e por não ser
filiado a nenhuma corrente política foi formado e irá finalizar as
emendas na Constituição em dez dias, que serão votadas em referendo em
dois meses”, anunciou em sua página no Facebook o executivo do Google
Wael Ghonim, libertado na semana passada pela polícia egípcia após
ficar preso durante 12 dias por “ativismo pela internet”.
Segundo ele, oito ativistas – incluindo o próprio Ghonim – se reuniram
com membros do Conselho para negociar o cumprimento das principais
demandas dos manifestantes após a queda de Mubarak: a realização de
eleições livres realizadas sob uma Constituição revisada. Até lá, os militares ficarão no poder “por um período de seis meses ou
até o fim das eleições para as câmaras baixa e alta do Parlamento, além
das eleições presidenciais”.
Nesta manhã, o porta-voz militar leu um comunicado transmitido pela TV
estatal em que pediu o fim das greves no país e a reativação da
economia. “Nobres egípcios, vejam que essas greves, nesse momento
delicado, levam a resultados negativos”, disse.
A declaração foi feita após manifestantes voltarem a se reunir na praça
Tahrir, centro do Cairo, horas depois de o Exército e policiais terem
retirado todos os ativistas pró-democracia da área. De acordo com a
polícia egípcia, cerca de 250 mil manifestantes se reuniram no local.
Além deles, outros egípcios anti-Mubarak protestaram nesta
segunda-feira em frente a entidades financeiras, indústrias, na sede da
TV estatal, em ferrovias e nos ministérios da Cultura e da Saúde para
reivindicar melhores salários.
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