Sábado, 16 de maio de 2026
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Nove anos depois da crise mais grave de sua história, os argentinos lembram com desgosto de momentos marcantes daquele final de ano: enfrentamentos entre polícia e manifestantes, desemprego e prateleiras vazias nos supermercados. A expressão de pesar, porém, logo é substituída pelo alívio. O medo de enfrentar uma recessão como aquela é um sentimento distante para os argentinos, pelo menos em curto prazo, afirmaram ao Opera Mundi o senador Eric Calcagno e o economista Bernardo Kosacoff, ex-diretor da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe). Segundo eles, o atual cenário político e econômico do país é completamente diferente daquele que antecedeu a quebra de 2001.

“A retomada levou o país por um caminho totalmente diferente. Foi preciso assegurar que não haverá tombos extremos, desligamos a Argentina do FMI”, explicou Calcagno.

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No fim de 2001, o país estava no auge de recessão, iniciada anos antes. Depois da renúncia do presidente Fernando De la Rúa, do ministro da Economia Domingo Cavallo e de sua equipe, em 20 de dezembro de 2001, cinco presidentes passaram pela Casa Rosada em 12 dias. O primeiro a ficar definitivamente no cargo foi Eduardo Duhalde, do PJ (Partido Justicialista, peronista) – o mesmo que, em 1999, fora derrotado nas urnas pelo próprio De la Rúa.

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Em 2002, lembra Kosacoff, iniciou-se um longo processo de recuperação. Uma das primeiras medidas de Duhalde no cargo foi deixar o modelo de “conversibilidade” (câmbio fixo), desvalorizar o peso e a estabelecer um sistema de planos sociais que pudesse acalmar os protestos.

Naquele ano, quando o PIB per capita da Argentina era inferior ao do final dos anos 1960, e a produção per capita estava nos mesmos níveis de 1948, esperava-se uma completa depressão, afirma o economista Pablo Rieznik, da Universidade de Buenos Aires, em seu artigo Argentina: bancarrota econômica, dissolução social e rebelião popular.

“Os prognósticos moderados previam um declínio da economia superior a 10%; e isso depois de uma recessão contínua”, escreveu.

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Kirchner chega ao poder

Em maio de 2003, Néstor Kirchner, ex-governador de Santa Cruz, na Patagônia, também do PJ, foi eleito presidente. Suas metas eram: sair da moratória com a reestruturação da dívida a longo prazo e a quitação de 70% de seu valor; dar continuidade aos planos sociais; rediscutir concessões e tarifas de empresas privatizadas; estimular a participação do Estado em setores como educação, saúde e moradia e reaquecer a economia local. De acordo com Kosacoff, recuperação da economia não teve apenas um só fator.

“O contexto internacional foi muito favorável por conta do aumentao da demanda por nossos produtos, como a exportação de soja e carros para o Brasil. A decisão de manter o câmbio desvalorizado aumentou a competitividade do país. Os investidores voltaram a descobrir o nosso potencial”, explica o economista.

Em março de 2005, a Argentina saiu da moratória e a taxa de desemprego caiu para 12,1%. Entre 2003 e 2008, o PIB da Argentina teve crescimento médio anual acima de 8% e, aos poucos, o país retomou a tranquilidade.



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Economistas argentinos: país hoje é muito diferente do que afundou em 2001

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