Quarta-feira, 20 de maio de 2026
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A execução de 72 imigrantes em agosto de 2010, sequestrados no estado mexicano de Tamaulipas, não foi um caso isolado. Pelo menos 11.333 imigrantes, em sua maioria centro-americanos, foram sequestrados no país entre abril e setembro de 2010 por grupos ligados ao crime organizado, de acordo com a organização pública mexicana Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH).

A entidade registrou 214 casos de sequestro, muitos deles “massivos”, isto é, capturando várias pessoas de uma só vez. A documentação denuncia também a presença de migrantes “infiltrados”, cúmplices dos criminosos que cometem os sequestros entre os grupos de viajantes.

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Além dos sequestros, os imigrantes – a maioria deles a caminho dos Estados Unidos – sofreram “extorsão, discriminação, exploração, abuso físico e sexual”, consta no documento, citado pelo jornal mexicano La Jornada.

Na apresentação do “Informativo especial sobre sequestro de migrantes no México” nesta terça-feira (22/02), o presidente da CNDH, Raúl Plascencia, disse que “não tem sido suficientes os esforços governamentais para diminuir os índices de sequestro que afetam a população migrante”.

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Os estados mexicanos onde houve mais casos foram Veracruz (leste), Tabasco (sudeste), Tamaulipas (nordeste), San Luis Potosí, norte, e Chiapas, no sul, na fronteira com a Guatemala.


Grupos afetados



Estima-se que 44,3% das vítimas foram hondurenhos, seguidos salvadorenhos (16,2%), guatemaltecos (11,2%), mexicanos (10,6%), cubanos (5%), nicaraguenses (4,4%), colombianos (1,5%) e equatorianos (0,5%).

O informativo da CNDH, que é um órgão público, refere-se ao período entre abril e setembro de 2010. Os dados foram coletados a partir de testemunhos das vítimas.

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“Do total de queixas recolhidas, 15,7% corresponde a experiências narradas por mulheres migrantes”, disse o presidente da CNDH. O sudeste do país concentrou  67,4% dos casos, seguido pelo (29,2%).

“A situação de vulnerabilidade em que se encontram os migrantes é extrema, sobretudo diante de casos de sequestro em que se viola a dignidade pessoal e os direitos humanos”, alertou o informativo.

O documento inclui também 28 recomendações para os governos federal e local, entre elas, “viabilizar mecanismos ágeis de fazer denúncia de fora do México” e fortalecer a segurança nas regiões por onde passam os trens utilizados por migrantes.

A CNDH não conseguiu precisar quais grupos estão envolvidos nos sequestros, mas há suspeita de que um deles seja o cartel Los Zetas, considerado culpado pelo massacre dos 72 imigrantes no ano passado, conforme concluiu a investigação oficial.

Esta não é a primeira vez que o México é alertado sobre o sequestro de estrangeiros em trânsito. O relatório “Vítimas invisíveis – Migrantes em movimento no México”, da Anistia Internacional – Seção México, elaborado no ano passado, ressalta o “fracasso das autoridades federais e estatais mexicanas em implementar medidas efetivas para prevenir sequestros, assassinatos e violações dos direitos humanos dos imigrantes”.

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Durante seis meses, pelo menos 11 mil imigrantes foram sequestrados no México

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