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Durante uma audiência de um julgamento por crimes de direitos humanos cometidos durante a última ditadura militar na Argentina (1976-1983), o réu e ex-ditador Jorge Rafael Videla interrompeu a sessão e pediu a palavra para dizer que se  sente  “intimidado” e ameaçado como “um preso político”.

“Sinto-me intimidado pela situação que vivo por ser preso político. Fico preocupado com minha família, que não tem proteção. Sinto preocupação porque nessa reunião estava o atual secretário de Direitos Humanos do município, que foi testemunha nessa sala”, disse Videla, que já possui uma condenação à prisão perpétua por crimes cometidos naquele período, como seqüestro, prisões arbitrária, desaparecimento de presos políticos, estupros e assassinatos.

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Videla estava se referindo à presença do secretário de Direitos Humanos de Córdoba, Luis Miguel Baronetto, que é testemunha no caso, em um ato público na sexta passada. Naquele dia, segundo informações do jornal argentino La Voz del Interior, um grupo de ex-militares montoneros se reuniram para relembrar a militância da década de 1970.

Durante sua fala – a segunda do julgamento -, Videla afirmou que o ato representa um insulto à sociedade argentina e deve ser visto com cuidado.

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“Dirigentes da agrupação terrorista Montoneros [fizeram] uma ameaça à sociedade de instaurar a violência como meio para alcançar objetivos políticos. Isto é muito grave”, disse o ex-ditador, segundo o jornal Página 12.

Videla é considerado um dos principais símbolos da repressão do último governo militar da Argentina, instaurado após o golpe de Estado de 1976.

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Além de Videla, o primeiro dos quatro presidentes da última ditadura militar na Argentina, estão nesse julgamento o general Luciano Benjamín Menéndez e outros 30 acusados. Eles devem responder pelo fuzilamento de 30 presos na Unidade Penitenciária 1, na província de Córdoba, em 1976.

Esse é o primeiro processo de Videla desde 1985, quando foi realizado o julgamento das juntas militares em 1985, dois anos após o retorno da democracia. Na ocasião, foi condenado a prisão perpétua. Em 1990, porém, o então presidente Carlos Menem (1989-1999) assinou as Leis de Ponto Final e de Obediência Devida, que indultou os militares condenados.

Em 2003, no governo do ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007), a lei de anistia, da época de Menem, foi anulada e as causas da ditadura foram reabertas. Em Córdoba, as audiências vão prosseguir até o fim do ano, e terão, ao todo, mais de sessenta depoimentos.

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