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Os primeiros despachos sobre o México entre documentos vazados pelo Wikileaks começaram a ser divulgados nesta sexta-feira (3/12), segundo a imprensa local, revelando que o governo mexicano teria se considerado incapaz de combater o tráfico de drogas sozinho e pediu “ajuda desesperada” aos Estados Unidos.

Segundo o jornal mexicano El Universal, duas mensagens em particular se referem diretamente ao país, por contradizerem as declarações feitas em público sobre o “sucesso” do combate ao tráfico. O primeiro menciona que o governo federal do México solicitou uma “ajuda desesperada” em diversas reuniões com autoridades do vizinho ao norte. Em outro, datado de 4 de dezembro de 2009, a secretária de Estado, Hillary Clinton, pede aos seus diplomatas no México um relatório detalhado sobre como notícias negativas – principalmente relativas à violência e à economia – estavam afetando o presidente mexicano, Felipe Calderón.

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Um momento particularmente constrangedor, registrado nos despachos vazados, foi quando o então subsecretário de Governo, Gerónimo Gutiérrez, admitiu que o país iria perder o controle sobre “certas regiões” para o tráfico se não decretasse estado de emergência. Ele comentava que a violência estava manchando a reputação do país e afastando investimentos estrangeiros, e que havia “uma sensação de impotência do governo” para resolver o problema.

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“Temos 18 meses… e se não produzirmos um sucesso tangível que seja reconhecido pelos mexicanos, será difícil sustentar o confronto durante o próximo governo”, disse Gutiérrez aos diplomatas, segundo o texto vazado pelo Wikileaks.

Em outro documento, Calderón manifestou ao então diretor de inteligência dos EUA, Dennis Blair, uma preocupação com uma suposta “intromissão” de Hugo Chávez em assuntos internos do México e de outros países latino-americanos. Na transcrição da conversa, Calderón levantava a suspeita de que o venezuelano teria financiado a campanha do PRD (Partido da Revolução Democrática, de centro-esquerda) nas eleições presidenciais de 2006.

Responsabilidade

No entanto, o ministro da Fazenda do país, Ernesto Cordero, desmereceu o teor dos documentos vazados e frisou que é necessário “ser muito responsável” ao manejar a informação. Segundo Cordero, essa é a opinião dos EUA sobre o resto do mundo, mas “falta conhecer” o que o México pensa sobre eles.

“É preciso ser muito responsável. Já vimos o que os EUA pensam de nós, agora falta ver o que nós pensamos deles”, enfatizou o ministro.

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Ainda de acordo com El Universal, cerca de 2,6 mil documentos entre os mais de 250 mil vazados pelo Wikileaks desde domingo (ou 1% do total) dizem respeito à violência do tráfico de drogas no México.

Os jornais The New York Times (EUA), The Guardian (Reino Unido), Le Monde (França), El País (Espanha) e a revista Der Spiegel (Alemanha) foram os que receberam cópia dos documentos em primeira mão.

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Documentos vazados pelo Wikileaks contradizem discurso de guerra às drogas no México

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