Segunda-feira, 27 de abril de 2026
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Um grupo de voluntários de diferentes partidos, distribuindo folhetos de campanha, tenta chamar a atenção daqueles que entravam em um colégio eleitoral no distrito de Tower Hamlets, em Londres. “Se nota que há mais pessoas do que da última vez”, comentou o responsável pelo centro, enquanto fumava um cigarro.

Cerca de 45 milhões de britânicos estavam aptos a votar nas eleições gerais hoje (6/5), considerada uma das mais disputadas da história do país, o que explica o alto comparecimento registrado. “Não tenho ideia em que irei votar, todos os partidos são corruptos. Pelo menos com os tories [conservadores] há alguma esperança de que as coisas mudem, mas não estou convencido”, disse ao Opera Mundi Andy Sullivan, operário da construção civil, mencionado o partido de David Cameron.

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Por sua vez, Derreck e Lilian Cutler, um casal de aposentados, revelou querer a permanência de Gordon Brown no poder: “Somos trabalhistas. Tememos que os tories acabem com a recuperação econômica cortando gastos rápido demais. Com eles podemos ficar como a Grécia”, opinou Derreck. Ao lado deles, Shah Mahmood, um jovem de origem bengalesa, discorda com a cabeça: “No final, dá na mesma. O que sim me preocupa um pouco é que nenhum partido alcance a maioria absoluta. Espero que tudo corra bem no final”.

Alfonso Daniels/Opera Mundi



Derreck e Lilian Cutler, moradores de Tower Hamlets, querem a continuidade da administração trabalhista

Devido ao complexo sistema eleitoral britânico, em que o partido mais votado pode perder as eleições, os resultados em uma centena de distritos, onde as diferenças entre partidos são ínfimas, são vitais. Como em Tower Hamlets, distrito que abriga Canary Wharf – complexo de edifícios comerciais chamado de “a Manhattan londrina” –, onde jovens ricos conservadores e imigrantes e londrinos de baixa renda, que somente votam nos trabalhistas, convivem. Apesar de decepcionados com o atual governo, estes últimos não acreditam que o partido da ex-Dama de Ferro, Margaret Thatcher, irá defender seus interesses.

Processo

O sistema eleitoral britânico deve produzir uma coalizão com os liberal-democratas, liderados por Nick Clegg. Conservadores e trabalhistas disputam a maioria dos votos – e a liderança do parlamento. No processo, os candidatos não recebem votos individualmente, exceto pelos distritos onde concorrem diretamente. Cada eleitor pertence a uma região, de acordo com uma divisão feita pelo governo, e elege um representante para o parlamento, composto por 650 assentos. O ganhador é, portanto, o candidato que consegue mais votos em cada lugar, o que favorece o bipartidarismo. Os eleitores naturalmente se dividem para evitar um acúmulo de votos no partido oposto.

Se nenhum partido conseguir a maioria simples (326 cadeiras), ocorre uma situação chamada de “hung Parliament” (parlamento enforcado). Nela, com um parlamento sem a maioria absoluta necessária para governar sozinho, o líder do partido com o maior número de deputados ainda pode encabeçar o governo, em uma possível aliança com um segundo partido. Se os partidos não chegam a um acordo para a formação de um governo de coalizão, uma nova eleição pode ser convocada.

Os liberal-democratas poderão fazer a diferença no caso de um Parlamento sem maioria clara, formando possivelmente um governo de coalizão com os trabalhistas ou com os conservadores. Os pequenos partidos nacionalistas do País de Gales e da Escócia também poderiam ter um papel importante em uma eventual coalizão.

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