Domingo, 5 de abril de 2026
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A ditadura de Honduras, apesar da falta de reconhecimento da comunidade internacional, suspendeu por 45 dias as garantias constitucionais, restringiu as liberdades de circulação e expressão e fechou nesta segunda-feira (28) a rádio Globo e a TV 36, favoráveis ao presidente deposto, Manuel Zelaya.

Cerca de 20 pessoas das forças de segurança tomaram o edifício da emissora de rádio, a mais vocal defensora do retorno de Zelaya ao poder, por volta das 5h30 (horário local) e tiraram o sinal do ar. O canal de TV teve o mesmo destino pouco depois. 

O jornal El Herado, favorável a Roberto Michelleti, estampa na capa a manchete “Estado de Sítio” e admite a restrição de liberdade de expressão.

O ministro do Interior da administração golpista, Oscar Matute, afirmou que os veículos de imprensa que incitarem violência estarão na mira do governo.  A estatal Hondutel irá vigiar os meios de comunicação, disse ele.

Segundo o decreto, a polícia e as Forças Armadas poderão fechar estações de rádio ou televisão “que não ajustarem sua programação às disposições atuais”.

Autoridades policiais ou militares, afirma a disposição dos golpistas, poderão deter pessoas que desobedecerem o toque de recolher ou que forem suspeitas de provocar distúrbios.

Ulises Rodriguez/Efe



Jornalista hondurenho fala ao celular durante entrada de tropas golpistas na rádio Globo, pró-Zelaya

Pressão por reconhecimento

A ditadura hondurenha pediu nesta segunda-feira que diplomatas de Espanha, Argentina, México e Venezuela devolvam suas identificações.

Micheletti quer os países negociem com a ditadura para “reestabelecer relações” e adotar medidas de “reciprocidade imediata”, o que significa receber um embaixador nomeado pela administração que derrubou Zelaya.

A ditadura afirma que tomou a medida porque os quatro romperam “unilateralmente” a relação com os golpistas, que “não receberão seus representantes diplomáticos a menos que seus respectivos governos procedam a negociar com a chancelaria da República o restabelecimiento das mesmas”.

Escalada

Nesta segunda-feira a Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou uma reunião urgente para analisar a situação em Honduras após o governo golpista negar a entrada de uma missão do organismo
ao país no domingo.

Segundo diplomatas brasileiros, o grupo que foi barrado iria preparar a chegada de uma missão de cerca de 15 representantes da OEA, com desembarque previsto para terça-feira (29) em Tegucigalpa.

O governo de Michelleti bloqueou a entrada dos funcionários sob o argumento de que eles não apresentaram as credenciais diplomáticas à chancelaria hondurenha.

Os golpistas ameaçam até retirar o status diplomático da embaixada brasileira. No fim de semana, a administração de Micheletti pediu que o Brasil defina em dez dias a situação do presidente deposto, Manuel Zelaya, abrigado na sede diplomática em Tegucigalpa.

“Se em dez dias não definirem o status de Manuel Zelaya, a sede perderá sua condição de diplomática, mas, por cortesia, não planejamos invadir o local”, disse o ministro de Relações Exteriores do governo golpista, Carlos López Conteras.

A OEA, as Nações Unidas e o Brasil não reconhecem a legitimidade do governo de Michelleti e não há diálogo oficial entre as partes.

Sem tropas brasileiras

Também nesta segunda-feira o ministro de Defesa brasileiro, Nelson Jobim, rejeitou qualquer possibilidade de enviar forças militares para a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. O prédio está sitiado desde a chegada de Zelaya.

“Não podemos entrar com força em país estrangeiro. A não ser que declaremos guerra, o que é inviável. A solução é exclusivamente diplomática”, disse Jobim a jornalistas após uma conferência no Rio de Janeiro.

“Não há nenhuma possibilidade de se pensar em movimentos armados. Nós só damos proteção a embaixadas em dois lugares do mundo [Sudão e Congo], porque há autorização dos governos locais em função da instabilidade política.”

Ditadura suspende garantias constitucionais, censura imprensa e fecha rádio e TV em Honduras

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